Velho, eu?

Viver é aprender. E agradecer

08/11/2025 Ivani Cardoso
Arquivo pessoal

De tempos em tempos eu faço um balanço da minha vida e penso em todas as pessoas que foram importantes em minha trajetória. Pais, professores, irmãos, familiares, amores, chefes, amigos de perto ou de longe, os que já se foram e os que continuam aqui. Cada pessoa contribui de uma forma para o nosso crescimento, seja por exemplos, ações e atitudes.

Personagens da nossa história pessoal muitas vezes nem têm ideia de quanto foram importantes para as escolhas que fizemos ou para as mudanças que aconteceram.

Faz bem reconhecer e agradecer, até mesmo aqueles que nos provocaram, invejaram ou atrapalharam. Aprendemos paciência, flexibilidade e tolerância com eles. As críticas nos dão oportunidade de melhorar, de encontrar novos caminhos e sair da mesmice.

E entre tantas pessoas, há uma mulher especial que há mais de 40 anos é uma inspiração. Estava organizando um curso de yoga na Associação dos Médicos de Santos e me indicaram a professora Nancy Toledo. Fui até a Associação dos Dentistas, onde ela dava aulas na época, e desde o primeiro momento o sorriso poderoso e o olhar de amor me conquistaram.

Ali nasceu nossa amizade, que continuou mesmo quando fui morar em São Paulo durante anos.

Nancy não dá mais aulas, mas continua ativa, mantém um grupo de leituras e conversas, vive cercada pelos quatro filhos, noras e netos e por muitos amigos. Ela tem o dom de ser feliz. Mesmo passando por momentos em que as limitações da idade incomodam – afinal está com 87 anos – é interessada pela vida, pelas pessoas, pelas notícias do mundo, embora muitas ela até prefere esquecer. Quando eu viajo quer que mande fotos, comenta meus textos e sempre diz que eu sou como uma filha para ela e que me ama. Não é lindo isso? Eu digo o mesmo, e de coração.

Todas as vezes em que eu chego ela abre os braços com aquele sorrisão que vale ouro. Pede para que eu sente pertinho, segura minhas mãos, quer saber dos filhos, dos netos, do que estou fazendo no momento. E se eu passo um tempo longo sem visitá-la, liga e não tem meias palavras, reclama mesmo e, às vezes, solta até um palavrãozinho carinhoso.

Com Nancy (que foi casada com o médico Luiz Carlos Floriano de Toledo, um homem elegante e generoso) eu aprendi muito mais do que inspirar, expirar, relaxar, meditar, disciplinar o corpo e a mente nas aulas de yoga por 18 anos. Aprendi que o caminho do meio é a melhor opção, que a escuta é poderosa, que é preciso respeitar os nossos limites, que a amizade é via de mão dupla e que o amor pode abrir portas. E que vale a pena, pelo menos, tentar vencer os desafios e confiar.

Quando eu mais precisei, ela esteve ao meu lado. E não é só comigo, seus alunos e amigos sabem que podem contar com ela em todos os momentos. Claro que ela também reclama de dores e sintomas que vieram depois que fez uma cirurgia complicada, como se adaptar a não viver mais sozinha e perder a autonomia anterior, mas não se abate, segue em frente.

Nancy continua sendo meu exemplo de exercício para ser feliz. Obrigada, amiga do coração.

Que tal vocês também pensarem em uma pessoa especial?