
Futuro Bispo Diocesano de Santos, Dom Joaquim reforça cuidados com os menos favorecidos
Numa maratona de três dias de peregrinação, o recém-nomeado bispo coadjutor de Santos, Dom Joaquim Mol Guimarães, esteve em visita à cidade durante o fim de semana. Além de conhecer os principais pontos, como Catedral de Santos, Monte Serrat, Porto, Cúria Diocesana e Seminário São José, o futuro chefe episcopal ainda celebrou duas missas, uma na centenária Paróquia de São José Operário e outra no Carmelo de São José, em meio às festividades ao santo que, segundo a Bíblia, é o pai adotivo de Jesus Cristo. Em meio a esses compromissos, dom Joaquim falou em exclusividade ao Jornal da Orla, discorrendo sobre suas expectativas ao assumir o cargo (a partir do dia 10 de maio), suas impressões sobre a cidade e também se apresentando ao seu rebanho de fiéis católicos.
“Uma cidade que é vocacionada à liberdade, ao olhar para o futuro, é uma cidade vocacionada a viver a fé cristã”, comentou sobre o lema de Santos (‘terra da caridade e da liberdade’). “Defender a dignidade, a justiça, o meio ambiente, os mais pobres, os marinheiros, o pessoal das palafitas, a população dos morros, tudo isso também é defender, como igreja, tudo que Jesus Cristo defendeu. Porém, isso acontece a partir de uma força, que é a da fé no Senhor Jesus. Não é por outra razão, ou por ideologia, ou modismo, ou por nenhum outro interesse, mas é pelo fato de que Ele, que nos amou primeiro e depois passamos a amar. Foi e é para nós a força para melhorarmos o mundo, para fazermos crescer uma fé viva, serviçal daqueles que mais precisam de nós”.

Dom Joaquim é conhecido por sua visão progressista, ao mesmo tempo em que, durante a pandemia de Covid-19, foi um crítico contundente às medidas executadas no enfrentamento da doença pelo ministério da Saúde do governo Jair Bolsonaro. No anúncio da sua nomeação, nas redes sociais da Diocese de Santos, ao mesmo tempo em que houve comoção, também teve muita resistência por parte dos católicos da região.
“Há muita gente que é do contra, só por ser do contra. E essas pessoas não me conhecem, nem sabem do que falo. Pegam coisas assim, isoladas, e criticam, sem se orientar. Mas fico feliz em constatar que essas são poucas. Porque a maioria das pessoas está unida neste movimento de vivificação da boa nova de Jesus e da Igreja. Então, é um equívoco, porém, haverá o tempo para que todos sejam capazes de entender tudo isso, crescer na fé e se tornarem adultos. E eu vou fazendo como fez Jesus: ele passou no meio deles e sigo o caminho”, afirma
Mol Guimarães, que está deixando de ser bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte (MG), para assumir as funções eclesiásticas na Diocese de Santos, é referenciado por suas críticas ácidas e públicas e não deve perder essa inclinação durante sua missão na Região da Baixada Santista.
“Sou bispo há 18 anos, padre há 33 anos, e catequista há 45 anos. Nasci numa família dentro da vivência da fé cristã. Tudo o que eu falo, comunico e testemunho é ensino da doutrina social da igreja. Portanto, as pessoas que se dispuserem a conhecer tudo isso e, de modo muito especial, todo o magistério do Papa Francisco, do Bento XVI, do Papa João Paulo II, vão perceber que o que falo é exatamente o que está lá. Não há uma separação da minha pessoa da que exerce o ministério dentro da igreja. Eu só falo o que Ela ensina. As pessoas que me criticam ou caluniam são as que mesmas que também fazem isso ao Papa Francisco. E entre ficar com o Papa Francisco, que é o chefe maior da igreja, e essas pessoas que às vezes, mesmo sendo poucas, têm uma visão completamente deturpada, que quase nada conhecem, não tenha dúvida de que eu fico com o Papa Francisco, porque ele foi colocado como Papa da igreja pelo Espírito Santo de Deus. E o Papa Francisco diz o que diz e testemunha o que testemunha, exatamente porque ele é assim com Cristo. Ele está aqui para poder reverberar a boa nova de Jesus Cristo. E eu estou junto com ele”.
Sobre projetos, Dom Joaquim pondera que ainda é muito cedo para definir qualquer coisa para a região. “Não conhecia nenhuma cidade da Diocese e é a primeira vez que venho. Mas, embora haja muitas riquezas, muitas coisas interessantes, não pretendo trazer para cá os trabalhos sociais de onde venho”, afirma.

O futuro bispo ficou impressionado com os trabalhos já realizados pela Diocese de Santos e quer dar continuidade a tudo o que Dom Tarcísio Scaramussa, que deve renunciar ao cargo em setembro, quando completa 75 anos, vem fazendo. “Por exemplo, visitei ao Porto e me encontrei com os marinheiros, que têm uma vida difícil e sofrida e fiquei positivamente surpreso em saber que há uma pastoral que cuida exclusivamente deles. Então eu quero estimular ações que incentivem as pessoas para que sejam fiéis no caminho de Jesus. A Diocese tem um vicariato social, e Dom Tarcísio tem feito isso há 10 anos”, ressalta.
Sobre sua futura missão, Dom Joaquim é categórico. “Venho aqui para estimular a catequese, que é uma das paixões da minha vida, das crianças e dos adultos. Quero encorajar o conhecimento da palavra de Deus, fazendo os círculos bíblicos. Venho para cuidar das famílias, pela pastoral que existe dentro da Diocese, principalmente os Encontros de Casais com Cristo. Venho para estimular a juventude a ser fiel a Jesus Cristo. É para isso que venho. Fora disso, quem se mostra contra, ou a pessoa está desinformada ou, se não, está com maldade no coração”, finalizou.


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