Cena

Urbana Coquetelaria aposta na brasilidade e reinventa cardápio em Santos

30/04/2026 Da Redação
Divulgação/Urbana Coquetelaria

Em um movimento que combina memória, identidade e criação contemporânea, a Urbana Coquetelaria transforma ingredientes e saberes brasileiros em experiência gastronômica. À frente da casa, os sócios Walter Barroso e Larissa Fumes seguem por um caminho menos óbvio: revisitar o país a partir de suas próprias raízes. “Não é um novo conceito. Para a gente, é mais sobre dar sentido aos ingredientes brasileiros”, afirma Walter.

Batizado de Sabores do Saber, o novo menu nasce dessa perspectiva. A proposta é traduzir referências afetivas em pratos e coquetéis autorais, equilibrando elaboração e acessibilidade. Com insumos 100% nacionais, a carta reúne criações que dialogam com diferentes regiões e tradições do Brasil, tanto na cozinha quanto no bar.

A reformulação marca também uma inflexão na identidade da casa. Após um primeiro ano de experimentação para entender o público, a Urbana assume de vez sua essência. “Agora a gente mostra mais claramente a nossa cara, que é fazer tudo 100% brasileiro”, explica Walter. A escolha se evidencia sobretudo na coquetelaria, com o uso exclusivo de destilados nacionais.

Mais do que uma lista de itens, o cardápio foi estruturado como uma narrativa. Logo na abertura, o cliente encontra o eixo “Brasil de origem”, com coquetéis que evocam ingredientes nativos e referências ancestrais. Um dos exemplos é o Içá Yambú (R$ 40), que combina jambu, cambuci e abacaxi em uma experiência marcada pelo efeito sensorial característico da erva amazônica.

A carta autoral com álcool aprofunda essa proposta, explorando perfis mais complexos e nomes de origem indígena. Entre os destaques, o Karai Pyharé (R$ 45), “Senhor da Noite”, reúne whisky, vermute de café, aperitivo de raízes amargas, conhaque e licor de cacau. Já o Tenondé Porã (R$ 38), ou “Futuro Melhor”, aposta em uma combinação inusitada de uva gaseificada em salmoura de azeitona com cachaça, jurupinga e jurubeba.

A inventividade se estende também aos drinks sem álcool, organizados sob o conceito bem-humorado de MPB — Medicina Popular Brasileira. Aqui, a proposta incorpora um viés fitoterápico, com uso de ervas, infusões e ingredientes associados ao bem-estar. “São coquetéis autorais com esse olhar fitoterápico. E, como é MPB, a gente trouxe nomes de músicas”, explica Larissa. Entre as opções estão Pra Não Dizer que Não Falei das Flores (R$ 32), um floral adocicado com rum zero álcool e xarope de hibisco, e Vinte Anos Blue (R$ 32), que leva coco, coentro, chá de erva-doce e água tônica.

Mais do que um bar, a Urbana se projeta como ponto de encontro cultural. A ideia é que a experiência ultrapasse o consumo. “Queremos construir um lugar onde não é só o drink que importa, mas também a música, os eventos e o encontro entre as pessoas”, diz Larissa.

O processo criativo acompanha esse espírito coletivo. A equipe participa ativamente da construção do cardápio, em um fluxo contínuo de experimentação. “É meio um ‘Frankenstein’ que vai sendo ajustado”, brinca Walter. No resultado final, o menu sintetiza trajetórias pessoais e referências culturais diversas. “Queremos colocar uma coroa no que já é nosso, mas muitas vezes não é valorizado”, resume. “Não é sobre alta gastronomia. É sobre fazer bem feito, com identidade — e fazer as pessoas se sentirem à vontade”.