
Realizar uma volta ao mundo a pé é inimaginável, fazer isso duas vezes, então, é ainda mais impressionante. O feito, no entanto, parece normal para o cubatense Alexandre Sartorato, que está partindo para sua 2ª Volta ao Mundo, correndo oito ultramaratonas por semana e partindo das Pirâmides de Gizé, no Egito. Neste novo desafio, uma equipe de cinema acompanhará sua trajetória, produzindo um filme sobre sua vida e seu legado.
Se preparando desde 2020 para atravessar continentes a pé, o brasileiro pretende percorrer uma média de mais de duas maratonas por dia, encarando temperaturas que variam de 50 °C a −20° “Quero tentar estabelecer mais uma marca histórica e utilizar essa jornada para enaltecer o nome de Cubatão (cidade que amo e sou embaixador), do Brasil e apoiar importantes causas. Também desejo levar a mensagem de que nada é impossível, quando temos fé em Deus, acreditamos nos nossos/objetivos e trabalhamos duro. A internet trouxe a possibilidade de um alcance muito maior que o da época da 1ª Volta ao Mundo”, afirma o ultra atleta.
Na sua primeira expedição ao redor do globo, ele percorreu aproximadamente 100 km por dia, utilizou 42 pares de tênis, consumiu mais de 2 mil litros de água, cerca de 600 litros de refrigerantes e mais de 100 quilos de macarrão.
Alexandre Sartorato coloca seu corpo sob extremos com a intenção de conscientizar a população para causas que ele considera importantes para o Brasil e para o mundo. “Meu desejo é que muitas pessoas sejam impactadas com as nossas ações e mensagens, mas se eu conseguir ajudar a melhorar a situação de uma única pessoa, já ficarei feliz”, diz. “Aprendi isso com minha mãe, Dona Irene, que sempre me falou: faça sua parte da melhor maneira que puder”, completa.
Sua mãe tem parcela importante na decisão de enfrentar esses desafios. Sartorato conta que sabe o que é passar dificuldades reais e que, como não tem condições financeiras para mudar o mundo, utiliza do seu corpo e mente para levar mensagens importantes. “Vi inúmeras vezes a minha mãe não comer para mim e o meu irmão comer. Eu sei o que é passar dificuldades. Não tenho condições financeiras para mudar o mundo, mas tenho condições físicas e psicológicas para correr o mundo e levar as pessoas a fazerem uma reflexão sobre essas causas. Não viverei feliz enquanto tiver um irmão vivendo na pobreza ou sofrendo qualquer tipo de preconceito, ou mazela. Somos todos irmãos em uma grande família chamada mundo”, conta
Memórias
Desde 2003, Alexandre vem construindo sua história enquanto ultra-atleta. Seu primeiro grande desafio foi percorrer o Brasil do Oiapoque ao Chuí em 61 dias, um total de 5.330km, e nele vivenciou um exemplo de acolhimento e solidariedade que levará para toda a vida. “Minha equipe de apoio teve um problema e não conseguiu me acompanhar. Eu estava com fome e sede num lugar em que o celular não tinha sinal, uma senhora bastante humilde de nome Denise dividiu o prato de comida dela e dos filhos dela comigo. Isso deixa muito claro o que penso da vida. A maioria de nós, independentemente da situação financeira, pode fazer algo pelo próximo”, relembra.
O início
Alexandre Sartorato é um esportista nato, desde os 3 anos ele já estava inserido no meio, com seu irmão mais velho. Foi jogador de futsal, por exemplo, lugar onde ele se destacou graças às grandes distâncias que percorria nos treinos.
Esse apreço de Alexandre despertou a atenção do professor Antônio Sérgio Quitério, conhecido como Índio, que o convidou para correr ultramaratonas. “O meu desejo, desde que fui descoberto, sempre foi correr distâncias quilométricas e, graças a Deus, deu certo. Através disso, levei o nome de Cubatão e do Brasil para o mundo”.


Meu sobrinho, Luis Afonso, está na equipe do Alexandre. Ele é o medico.