
O que leva uma pessoa a cometer um crime? Essa é a pergunta que move Três Homens e um Crime, espetáculo escrito, dirigido e protagonizado por Luiz Thomas, que será encenado nos dias 24, 25 e 26 de julho, no Teatro Guarany. Os ingressos podem ser retirados na bilheteria do teatro ou pelo site da Bilheteria Express.
A história acompanha três chefes de família que, sufocados por dificuldades financeiras, decidem assaltar um banco acreditando que essa é a única forma de resolver seus problemas. O plano, porém, muda completamente o rumo de suas vidas.
Segundo Luiz, a ideia da peça surgiu da vontade de discutir até onde uma pessoa é capaz de ir quando enfrenta uma situação extrema. “São personagens absolutamente éticos e morais, mas acreditam que, para resolver problemas que não conseguem solucionar de outra forma, precisam pular essa fronteira”, explica.
Os protagonistas estão longe do estereótipo de criminosos. Um deles é um ex-empresário e pai de duas filhas. Outro tenta conseguir dinheiro para pagar o tratamento da mãe, que está em estado terminal. O terceiro está desempregado e espera o nascimento do primeiro filho. Unidos pelo desespero, eles acreditam que o assalto será apenas um episódio passageiro e que, depois dele, tudo voltará ao normal.
Mas a decisão acaba afetando muito mais gente do que eles imaginavam. “Eles resolvem assaltar achando que vão resolver os problemas e tudo vai continuar como era antes. Só que, desse ato, surgem mudanças enormes, não só neles, mas em todos que os cercam”, afirma o diretor.
Para construir esse conflito, Luiz buscou inspiração em histórias reais de pessoas levadas ao limite. “Onde está o limite da ética e da moral quando você vê sua família correndo o risco de ser despejada ou sua mãe morrer porque não há dinheiro para comprar um remédio? Eu quis criar uma história que fizesse a plateia pensar sobre isso”.
Sem apresentar respostas prontas, o autor prefere deixar que cada espectador tire suas próprias conclusões. “Eu não digo se isso é certo ou errado. Deixo as pessoas decidirem como agiriam naquela situação”.
Heróis ou vilões?
Para Luiz, um dos maiores desafios foi criar personagens que não fossem simplesmente mocinhos ou vilões. Embora enfrentem o mesmo dilema, cada um reage de forma diferente às consequências do crime. “Nunca faço um personagem ser herói ou vilão. São seres humanos que, diante de determinadas circunstâncias, são capazes de fazer coisas terríveis”.
Essa complexidade também exigiu um intenso trabalho do elenco. “Tivemos que deixar de lado a nossa própria moral e ética para permitir que a personagem sobrevivesse dentro de nós e acreditar que, naquele momento, ela estava certa.”
Quando a cortina fecha
Luiz acredita que o espetáculo não termina quando as luzes se apagam. Para ele, a verdadeira experiência começa quando o público deixa o teatro. “A peça começa depois que acaba. Quando a cortina fecha e o público vai embora, ele continua digerindo aquele espetáculo no estacionamento, no restaurante, discutindo como reagiria naquela situação”.
Luiz conta que escrever a peça foi o maior desafio. O espetáculo reúne 14 atores e uma narrativa ágil, com 23 cenas em uma hora e 25 minutos. Policiais, jornalistas, familiares das vítimas e outros personagens ajudam a mostrar como um único crime pode transformar a vida de muitas pessoas. “É uma pancada atrás da outra, sem perder a essência que queremos transmitir”.
A expectativa é que cada espectador saia do teatro com uma resposta diferente — ou talvez sem resposta alguma. “O mais importante é que todos compreendam que aqueles personagens são humanos. O ser humano vive em conflito o tempo todo. É aquela questão de Shakespeare: ‘ser ou não ser’. Dificilmente acertamos sempre”.


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