
O santista se tornou paratleta e fez do equipamento o seu melhor amigo
Em preparação para a próxima etapa do Skate Total Urbe (STU) em Porto Seguro, na Bahia, que acontece em setembro, o paraskatista Tony Alves, de Santos, mantém a expectativa no alto e explica a relação vitalícia que tem com o skate. “Na etapa anterior, não consegui fazer uma volta tão boa. Errei e fiz apenas minha volta de segurança. Apesar disso, estou bastante confiante para a próxima, no dia 21 de setembro. Esse mês de agosto vou fazer bons treinamentos para que eu possa fazer uma volta que me deixe satisfeito”, afirma. Ele irá competir no Skate Park.
Nascido sem as duas pernas, Tony se encontrou com o skate logo aos dois anos, quando ganhou seu primeiro ‘carrinho’ para se locomover. “Dos dois aos seis anos, o skate eram as pernas que me faltavam. Eu brincava com meus amigos, eles correndo com as pernas e eu com o skate”, conta. “Foi com sete anos que comecei a ver o skate como uma diversão, graças ao meu vizinho da época, que tinha um. E aí começamos a explorar, andar juntos, montar obstáculos, tentar fazer manobras, buscar vídeos…”.
O interesse do jovem pelo esporte foi crescendo. Aos 11, ele ganhou seu primeiro “skate de verdade” para poder participar da sua primeira competição, esta que mudaria sua visão de como funciona o mundo sobre rodas. “A verdade é que eu não entendia de skate, minha mãe também não entendia e até quem me ajudava também não. Então eu tinha skates de entrada, aqueles bem populares, e foi só no campeonato que ganhei um skate decente para a prática mesmo”.
Daí para frente, as portas se abriram e ele se tornou Tony Alves, que, em sua concepção, é um “Fruto do acaso”. Segundo o atleta, o skate o ajudou a equilibrar o desafio que a vida lhe impôs. Na sua avaliação, ser um skatista é um desafio para todos, independente das condições físicas e ele acaba se tornando “igual, mesmo sendo diferente”, diz. “Hoje, é possível dizer que Tony Alves e skate são quase sinônimos. Toda a minha vida envolve o skate, fiz amigos, conheci o mundo e superei as dificuldades pelo skate”.

Foto: Fernando Yokota
Apoio e Evolução
Hoje, aos 25 anos, o skatista entende que sua evolução passa também pela preparação física. Quando as coisas começaram a ficar mais sérias, Tony percebeu que deveria buscar fortalecer seu corpo para que pudesse ter melhores resultados. “Eu remava só com a mão direita e usava só uma perna na frente. Com o passar do tempo, percebi que isso poderia prejudicar nas manobras. Aí comecei a usar o outro lado. Criei calos na mão esquerda, fortaleci o braço que, por não usar muito, era mais fraco. Fui buscar outros esportes, como a natação, para fortalecer meu corpo. E isso me ajudou a saltar melhor, a puxar as manobras. Tudo com foco para melhorar no skate”, explica.
Alves também destaca a importância do apoio que recebe da Fundação Pró-Esporte de Santos (Fupes). De acordo com ele, o skate é um esporte que depende bastante de parcerias e, talvez por isso, seja muito difícil de conseguir. “A Fupes ajuda demais. É muito difícil conseguir apoio, tanto material quanto financeiro. Hoje, eu posso ter esses dois e isso facilita muito. Não tenho preocupação, por exemplo, de não ter dinheiro para participar de algum campeonato. Tenho todo o suporte para estar nos eventos, para estar treinando, evoluindo, frequentando a pista. Isso realmente faz a diferença”, afirma.
Santos: praia, skate e paz
Tony acaba de retornar de uma turnê de campeonatos de um mês e meio pela Europa e se sente revigorado de poder estar de volta a Santos, a ‘Califórnia Brasileira’. Focado em suas próximas competições, ele considera que estar em casa é benéfico para a sua preparação. Além da próxima etapa do STU, ele também já está classificado para duas próximas competições de nível mundial, também pelo STU, mas que ainda não têm data nem locais definidos.
“É bom estar de volta para focar no próximo campeonato. Quando eu era mais novo, até tinha a vontade de me mudar para São Paulo, só que hoje em dia eu olho para Santos e penso: não dá. Imagina você viver viajando, como eu, e quando volta para casa está rodeado de prédios? Não rola. Eu venho para Santos, venho à praia e fico na maior paz. Aqui é um refúgio”, conta.

Foto: Fernando Yokota


Deixe um comentário