
O mercado imobiliário da Baixada Santista apresentou um cenário dividido no mês de maio. Enquanto as vendas de imóveis recuaram 9,97%, acumulando uma queda de 55,33% no ano de 2025, o setor de locações registrou um crescimento de 45,85% em maio. Os dados são do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CRECISP).
Segundo o órgão, a alta procura por locações de imóveis na região foi impulsionada pelo turismo, expansão logística e investimentos em infraestrutura. Já a queda nas vendas foi o reflexo de ajustes no mercado e das condições de financiamento. O presidente do CRECISP, José Augusto Viana Neto, apontou a taxa de juros como principal obstáculo, “ela está dificultando que as pessoas tenham acesso à casa própria”.
O mercado apresenta instabilidade desde janeiro, com oscilações mensais que refletem as dificuldades de financiamento. Os apartamentos mantêm participação de 65% nas vendas, concentrando-se na faixa de 2 dormitórios e área entre 50 e 100 metros quadrados. O valor médio varia entre R$ 200 mil e
R$ 300 mil.
A distribuição geográfica das vendas mostra equilíbrio: 39,7% nas regiões nobres, 38% nas periferias e 22,3% na área central. Pagamentos à vista representam 37,5% das operações, enquanto financiamentos somam 40,1% – sendo 26,3% por bancos privados e 13,8% pela Caixa Econômica Federal.
EM ALTA
O setor de locações apresenta movimento contrário. Casas e apartamentos dividem quase igualmente o mercado de aluguéis, com 51% e 49% respectivamente. A faixa de aluguel entre
R$ 1.500 e R$ 2.000 concentra a maior demanda. Depósito caução tornou-se a garantia preferida de 64,5% dos inquilinos, superando seguro fiança (21,1%) e fiador tradicional (2,6%).
As regiões periféricas absorvem 58,8% das locações, enquanto áreas centrais e nobres ficam com 21,2% e 20%, respectivamente. Dados mostram que 50,6% dos inquilinos migraram para imóveis com aluguéis menores ao renovar contratos.
PRAIA GRANDE
Viana Neto ainda destacou a Praia Grande como cidade com melhor desempenho na região. “Pelo consumo de concreto constatado por meio das fornecedoras, Praia Grande tem sido a número um no litoral”, explica. O metro quadrado em Praia Grande varia entre
R$ 9 mil e R$ 10 mil, enquanto Santos mantém valores entre R$ 14 mil e R$ 15 mil. A diferença de preços tem atraído classe média alta para Praia Grande, embora Santos permaneça como referência para imóveis de padrão superior.
MINHA CASA, MINHA VIDA
O programa Minha Casa, Minha vida, que entrou na quarta fase, é uma das apostas de propulsão para as vendas. Implementada em maio, a nova etapa financia imóveis de até
R$ 500 mil com entrada de 20%, juros de 10% ao ano e prazo de 35 anos. É uma nova categoria destinada às famílias com renda mensal de até R$ 12 mil.
“Este valor engloba 85% do mercado e atende famílias com renda de R$ 8.600 até R$ 12 mil por mês”, avalia o presidente do CRECISP. A medida substitui mudanças restritivas de agosto de 2024, quando o teto da terceira faixa caiu de R$ 350 mil para R$ 270 mil e a entrada subiu de 20% para 50%. “A quarta faixa foi algo muito bom. Agora, nós temos juros muito mais baixos. O que a pessoa vai pagar de prestação é quase o mesmo preço de um aluguel”, afirma José Augusto.
EXPECTATIVA
Apesar das dificuldades recentes, o mercado imobiliário da Baixada Santista possui expectativas positivas para o segundo semestre de 2025. A recente implementação das mudanças no programa Minha Casa Minha Vida trouxe otimismo entre profissionais do setor, com esperanças de recuperação e aumento nas transações, segundo Viana.


Deixe um comentário