
Um talento familiar guia duas vitoriosas irmãs. Além de compartilharem a mesma genética e a barriga da mãe, as gêmeas Mayara e Yasmin Neper agora também compartilham o tatame olímpico. Juntas, elas vêm representando Santos pelo Brasil e pelo mundo, conquistando medalhas no Wrestling.
A última empreitada das irmãs foi o Pan-Americano Sub-17, no Rio de Janeiro, onde ambas conquistaram a medalha de bronze: Yasmin na categoria até 57kg e Mayara na categoria até 69kg. “Representar a cidade já é especial, mas representar as cores do Brasil é indescritível. Me sinto muito honrada porque amo muito meu país. E isso é um sonho realizado do qual a gente se prepara muito”, afirma Mayara. “Isso é fruto de um trabalho duro e dá muito orgulho conseguir representar o Brasil. É importante, também, porque facilita a chegada de apoio dos patrocinadores e dá mais visibilidade internacional para a gente”, conclui Yasmin.
Para a conquista da medalha na competição continental, Yasmin venceu duas atletas: uma venezuelana e uma equatoriana, mas infelizmente caiu na semifinal para uma lutadora estadunidense. O bronze veio após a vitória sobre uma lutadora do Panamá. Já Mayara venceu uma argentina, uma canadense e uma americana, perdendo apenas para uma lutadora mexicana e ficou com o bronze devido à sua posição na classificação geral da categoria.
Companheiras
Juntas desde o começo, o companheirismo entre as duas é considerado essencial para o sucesso esportivo. Mayara considera que não há competição entre as duas. Yasmin, porém, reconhece que há uma rivalidade natural, mas que não é maior do que o apoio que existe entre elas. “Sempre vai ter [a rivalidade], mas sempre vamos torcer uma pela outra. Ter uma irmã gêmea, na vida de atleta, é muito bom. Ela nunca me deixa para trás. É uma relação engraçada e, ao mesmo tempo, puxada. A gente está sempre cobrando o melhor uma da outra justamente porque sabemos o potencial de cada uma”, conta Yasmin. “Sempre estamos apoiando, incentivando. Quando temos uma luta internacional, por exemplo, buscamos nos encorajar, lembrar que somos melhores que a adversária. Esse apoio significa muito”, completa Mayara.
Mudanças
A trajetória das irmãs tem início no judô, mas o Wrestling parecia inevitável. Influenciadas pelo irmão mais velho, conheceram a modalidade próximo ao período de pandemia e iniciaram a migração do quimono para a malha. “Quando eu conheci, por volta do fim de 2020, comecei a praticar mesmo sem competir. Eu já era judoca e participava de competições, mas meu treinador foi me influenciando, pouco a pouco, a competir na luta olímpica. Eu gostei e acabei ficando”, afirma Mayara. “Nosso irmão mais velho já praticava, aí na pandemia nós mudamos de modalidade. Eu gostei por ser mais livre que o judô. Mas mesmo que fosse algo familiar, nunca houve qualquer obrigação ou pressão para praticar”, diz Yasmin.
E a mudança rendeu frutos. Segundo o treinador Tharin Polheim, as gêmeas apresentam uma evolução crescente. Há três anos, trabalhando com as atletas da equipe Ades Equilibrium/Projeto Luta Baixada/Fupes, ele destaca a garra e determinação das lutadoras. “Elas têm uma busca incessante por resultados. Ambas têm um futuro promissor, acredito que conseguirão a vaga na seleção adulta para representar o Brasil nas olimpíadas de Brisbane, em 2032”.
O wrestling é um esporte que abre muitas portas. Grandes wrestlers migraram para o MMA ou até mesmo para o ramo do entretenimento esportivo. No entanto, Yasmin e Mayara, no momento, não têm qualquer pretensão de mudar e procuram representar o Brasil em olimpíadas. “Eu não penso em outro esporte. Estou treinando para a luta olímpica. O MMA é interessante, sim, mas, no momento, só penso na olímpica. Mais para frente, quem sabe…”, diz Mayara. “Foi através do Wrestling que conheci outros países, culturas, línguas, coisas que eu nunca pensei em conhecer. Ainda mais por esse esporte, pouco reconhecido no Brasil. Então, não pretendo mudar não. Meu foco é conquistar a medalha de ouro para o meu país. Eu não gostaria de ir para o MMA porque, primeiro, não é um esporte olímpico e, segundo, eu não gostaria de levar porrada”, afirma Yasmin, com bom humor.
Para o futuro, agora as duas esperam a convocação para o Mundial e a possibilidade da conquista de uma medalha inédita para o país na idade delas. As gêmeas também irão representar Santos nos Jogos Abertos do Interior.


Conheço as gêmeas e a família .exemplo de garra.. perseverança dedicação.Jovens que nos enchem de orgulho e que merecem todo apoio dos nossos representantes do governo.Espero que alguém as apoie para nos representar no mundial em breve..elas merecem.