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Talento hereditário leva Willian Daltro a disputar a artilharia da Briosa

30/08/2025 Da Redação
João Jardim/Agência Briosa

Com talento correndo no sangue, o volante artilheiro rubro-verde Willian Daltro chegou na Portuguesa Santista para fazer a diferença. Com três gols marcados, ele está empatado com o camisa 10 Carlos Alberto e com o centroavante Eliandro na artilharia da Briosa.

Natural de São Vicente, o atleta tem passagens por equipes de diversos lugares do país, tais como Matsubara e Operário, no Paraná, Salgueiro, de Pernambuco, e também o Potiguar, do Rio Grande do Norte. Apesar de ter iniciado sua carreira aos 16 anos, Daltro só fez seu primeiro jogo profissional por uma equipe da Baixada aos 32, quando, em 2025, compôs o elenco do Jabaquara Atlético Clube, time onde o pai, Wilzon, foi campeão em 1993.

“Meu pai é minha maior influência. Eu saí de casa aos 16 anos para jogar. No início, eu queria ser atacante, seguir o caminho do meu pai, mas para mim era um pouco mais difícil”, comenta em bom humor. “Um treinador meu, o Edson, que me deu os puxões de orelha, me orientou e me ensinou a jogar como volante”, conta.

O pai, Wilzon, atacante que fez o gol da vitória que deu o título do Campeonato Paulista da Série A3 do Jabaquara, conta que Willian teve um início cedo no futebol, com apenas nove meses. “Logo que ele começou a andar, já chutava as bexigas das festas de aniversário. Aí que percebi que ele teria futuro. Com 12, ele estava na base do Santos e a partir daí construiu sua trajetória. Um caminho bom, graças a Deus. Pode jogar no clube onde eu fui campeão e agora está na Portuguesa Santista, desempenhando o bom futebol dele”.

A mais briosa

E, apesar de não ter o faro de gol do pai, Willian vive sua fase de goleador na Portuguesa. “Em outras equipes, eu já fazia gols, mas nunca tive uma sequência como estou tendo agora. Antes fazia um gol aqui, outro gol em outro campeonato. Essa sequência de três gols no mesmo campeonato está sendo aqui na Briosa”, diz. “E é algo que me motiva. Esses gols são frutos de um trabalho bem feito, mostram o quanto a equipe está empenhada na busca de melhorar o nome da Briosa. Nós não estávamos aqui no rebaixamento, mas percebemos que a torcida está um pouco chateada com o que aconteceu. E isso acaba sendo um incentivo para podermos alegrar a torcida”, completa.

Após se destacar no Jabuca, Daltro atravessou a fronteira e agora está no representante de outro país da Península Ibérica. Na Portuguesa Santista, Daltro destaca que atuar em Ulrico Mursa tem um peso diferente. “A presença da torcida ajuda muito o time. De praticamente todos os times, eu ouvi alguém falar que é difícil jogar no Ulrico, que a torcida é chata, que a torcida empurra o time… E nós sentimos isso mesmo, a torcida apoia o elenco, vê o jogo até o final. E isso é uma arma para nós. A torcida se torna um jogador a mais”, diz.

Orgulhoso, Wilzon, destaca as qualidades do filho dentro de campo. De acordo com ele, o filho carrega características diferentes em um volante. “Ele sai para o jogo, é agressivo, tem boa marcação e um bom passe. E eu não falo isso só como pai. Eu gosto do jeito que ele joga, é maduro”, diz.

Foto: João Jardim/Agência Briosa

Copa Paulista

Disputando a Copa Paulista, um campeonato importante para a Portuguesa, Willian Daltro destaca que não é uma competição simples, apesar das aparências, já que conta com times que buscam o crescimento. “Existem dois tipos de clubes: os que buscam mais calendário e os que querem revelar jogadores. Muita gente pode olhar de fora e pensar ‘ah, é só uma Copa Paulista’, porém é um campeonato muito importante”, analisa. “Muita gente achou que a Portuguesa entraria para ser só mais um depois do que aconteceu no início do ano, mas estamos provando que não. Estamos aqui para disputar”, conclui.

Daltro ressalta ainda que a Copa Paulista tem uma importância em tirar o time da inércia e movimentar a equipe durante a temporada. “Não dá para atuar apenas no paulista, por três meses e depois recomeçar do zero. A Copa Paulista ajuda o clube a criar uma base, uma espinha dorsal para o futuro, para a temporada seguinte”.

Família

Ter um atleta em casa é uma situação que demanda movimentação de toda a família. Wilzon, por exemplo, destaca a paixão que ele e a esposa têm para ver o filho Willian. “Eu vou aos jogos aqui em Ulrico, já a minha esposa prefere ver depois. No campo, ela passa mal de nervoso. Mas toda a família se junta para ir prestigiar o garoto”, afirma.

Além disso, Willian tem um xodó que também acompanha o volante em Ulrico Mursa: o filho João Pedro, de um ano e cinco meses. “Todo jogo, ele está comigo. Já chutou bexiga, bola, tudo”, conta. “Ainda estamos na descoberta se ele será destro ou canhoto, mas o importante é estar chutando a bola”.

Com a chance de repetir o ciclo de sua história, ele admite, no entanto, que gostaria que o pequeno seguisse os passos do avô. “Eu gostaria que ele fosse atacante. Vou deixar o vô ensinar ele a fazer gol, que é melhor”, brinca.