
O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou, de forma definitiva, o inquérito que investigava o ex-prefeito Válter Suman. Apesar de ter sido tomada há exatamente um mês, a decisão começou a repercutir em Guarujá apenas ontem.
A decisão, que transitou em julgado no dia 17 de junho, foi tomada de forma unânime. Ela confirma um entendimento já estabelecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em junho do ano passado, que determinou o arquivamento da investigação por ela se arrastar durante muito tempo, sem ser concluída.
O Ministério Público recorreu, porém, em fevereiro, o ministro André Mendonça negou o prosseguimento do caso, por entender que não foi apontado nenhum elemento novo ao caso. Em maio, o plenário do STF confirmou a decisão do relator.
Operação Nácar
O indiciamento do então prefeito Válter Sumam foi feito durante a Operação Nácar, deflagrada pela Polícia Federal em 2021, com o objetivo de apurar um esquema de desvio de verbas públicas na saúde e educação em Guarujá. Suman chegou a ser preso e ter bens bloqueados.
Na ocasião, a Polícia Federal divulgou que investigava o desvio de mais de R$ 100 milhões, em contratos com organizações sociais, e chegou a apreender quase R$ 2 milhões em dinheiro vivo em endereços ligados a ele e ao secretário de Educação, Marcelo Nicolau, incluindo R$ 70 mil no gabinete do prefeito.
Na Câmara de Guarujá, chegou a ser criada uma Comissão Processante para analisar o caso, que poderia resultar em um processo de impeachment de Suman. Formada pelos vereadores Fernando Martins dos Santos (MDB), Juninho Eroso (PP) e Sirana Bosonkian (PTB), a comissão concluiu não haver elementos para responsabilizar o prefeito e, consequentemente, retirá-lo do cargo.
Segundo a defesa, a medida confirma a lisura da gestão do ex-prefeito e reafirma os princípios constitucionais do devido processo legal.
Ex-prefeito celebra decisão
Em entrevista exclusiva ontem, o ex-prefeito Válter Suman não escondeu os sentimentos de alegria e alívio com a decisão. “Foram três longos anos de investigação, julgamento de dois tribunais superiores. O STF e o STJ me inocentaram, por unanimidade, e provaram minha idoneidade.
Suman explicou que continua trabalhando como médico. “Sigo trabalhando em paz comigo mesmo, com a sociedade e com a Justiça. Sou servidor público há 39 anos e tenho consultórios em Guarujá e Vicente de Carvalho. Na próxima semana, eu inicio um consultório em Santos”.
O ex-prefeito avalia que fez um governo “realizador”, o que lhe conferiu uma reeleição histórica (75% dos votos validos) e que deixou “o maior legado de ações e obras que Guarujá já recebeu”.
Questionado sobre seu futuro político, Suman respondeu: “Sigo apenas como médico. A princípio não penso em participar de processo político em 2026”.


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