
O uso da inteligência artificial deixou de ser parte de um cenário distante, tecnologia de ficção científica, e chegou ao dia a dia dos supermercados. A ferramenta, que antes parecia aplicada a protocolos de informática complexos, agora, ajuda a prever quando falta produtos na prateleira, entende o que cada cliente prefere comprar e até responde dúvidas pelo celular. Na Baixada Santista, essa mudança aparece com desafios que vão desde a oscilação do número de turistas até a necessidade de conhecer melhor quem mora na região. Segundo a Associação Paulista de Supermercados (APAS), as nove cidades registram 1.345 estabelecimentos, dos quais 55,3% são pequenos mercados e 21,33% de grande porte e a adoção de recursos de inteligência artificial (IA) ocorre em ampla maioria dos locais, ainda com maior concentração nas grandes redes.
“A nossa pesquisa estadual mostra que 80% dos supermercados paulistas utilizam inteligência artificial. A adoção alcança 40% dos estabelecimentos com 50 ou mais check-outs, que integram soluções baseadas em GPT-4. A Baixada Santista segue o mesmo parâmetro”, afirma o economista-chefe da APAS, Felipe Queiroz.
Segundo ele, as características regionais demandam adaptações específicas. A sazonalidade turística e a população em alta temporada levam os estabelecimentos a aplicar tecnologia no planejamento de estoques e na gestão do mix de produtos. Redes de médio e grande porte utilizam a ferramenta para gerenciar estoques, diminuir rupturas e melhorar a experiência de compra. Pequenas redes investem em ‘chatbots’ para agilizar o atendimento e análise de dados.
“Supermercados localizados em regiões com características de sazonalidade e forte concentração turística podem se apropriar de recursos tecnológicos para um melhor planejamento de seus estoques, além da gestão do mix de produtos”, explica o economista-chefe da APAS.
Felipe ainda reforça que o uso da inteligência artificial envolve áreas como vendas, logística, atendimento ao cliente e processos internos. As vantagens que esta tecnologia apresenta incluem versatilidade na análise de dados, automação de relatórios e suporte ao atendimento ao cliente.
GANHOS
O estudo indica que 92% dos supermercados do Estado que implementaram processos inovadores nos últimos 12 meses registraram ganhos operacionais. A influência da área de TI sobre iniciativas de inovação aumenta com o porte da empresa e chega a 45% nas grandes redes.
“A Inteligência Artificial já é uma realidade no setor supermercadista paulista, e a inovação gera resultados concretos. O próximo desafio é integrar melhor os sistemas e explorar a tecnologia de forma estratégica”, diz o diretor de serviços aos supermercados da APAS, Ariel Grunewald.
DESAFIOS
“De forma geral, a pesquisa mostra que o potencial da IA no setor supermercadista permanece amplamente inexplorado, oferecendo às empresas a chance de integrar cada vez mais essa tecnologia poderosa em suas estratégias de vendas e operações, seja para aumentar a eficiência, personalizar a experiência do cliente ou ampliar a competitividade”, ressalta Felipe.
Para ele, na área de vendas, por exemplo, a pesquisa revela que apenas 21% das empresas entrevistadas utilizam IA. “Esse nível de adoção indica que ainda há um amplo espaço para expansão e que o setor supermercadista precisa avançar em maturidade digital para explorar”, enfatiza Queiroz.
Na área de segurança, apenas 5% dos supermercados pesquisados utilizam a tecnologia, com destaque para detecção de atividades suspeitas, análise de vídeo em tempo real e análise de ameaças cibernéticas.
“A IA pode fortalecer a prevenção de perdas, aumentar a segurança física e digital, e contribuir para maior eficiência operacional”, explica o economista da APAS.


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