
Os 480 anos de Santos serão comemorados em grande estilo nesta segunda-feira (26), às 19h, na Praia do Gonzaga, com o encontro entre Alceu Valença e a Orquestra Sinfônica Municipal de Santos (OSMS). O show gratuito integra a programação oficial de aniversário da cidade e promete unir a força da música popular brasileira à grandiosidade do formato sinfônico.
O concerto é resultado de um desejo antigo do maestro Luís Gustavo Petri, que há cerca de dez anos sonhava em levar a obra de Alceu ao palco com a orquestra. “Eu sempre quis fazer um show com ele. Sou muito fã, mas nunca dava certo por causa da agenda. Faz uns dez anos que tento. Desta vez, tivemos sorte: as agendas bateram e vai ser um encontro muito esperado”, conta.
Petri destaca não apenas a importância de Alceu Valença para a música brasileira, mas também sua vitalidade artística. “Ele tem uma energia impressionante, parece que não envelhece. Os shows dele são sempre muito gostosos de assistir. Vai ser algo bonito para o público e, para mim, tem também um lado muito pessoal”.
MPB em formato sinfônico
Levar a obra de Alceu Valença para o universo sinfônico exige cuidado — e, segundo o maestro, o segredo dessa união está no trabalho de arranjo. “Quem faz a liga entre a música popular e a música de concerto é o arranjador. É ele quem desenha o que cada instrumento vai tocar. Esse trabalho é complexo, muitas vezes invisível, mas é o coração de tudo”.
Com pouco tempo de preparação, Petri optou por dividir as músicas entre diferentes arranjadores. “Normalmente, um arranjo desses leva de 15 a 20 dias para ficar pronto. Como o tempo era curto, cada música ficou com um arranjador diferente. A escolha foi muito feliz. Os arranjos estão lindíssimos”.
Segundo ele, quando o arranjo é bem resolvido, o diálogo entre orquestra, banda e artista acontece de forma orgânica. “Para quem assiste, parece que estamos tocando juntos há anos. Mas isso só é possível porque houve um trabalho muito cuidadoso antes”.
Identidade brasileira em cena
As fortes referências nordestinas presentes na obra de Alceu Valença não criam distância — ao contrário, reforçam a identificação. “Nós somos todos brasileiros. Essa música faz parte da nossa memória. Nos ensaios, tem músico cantando junto, porque todo mundo conhece”, observa Petri.
A presença da banda do artista também contribui para essa troca. “O swing, a levada, o jeito de tocar… tudo isso vai se ajustando nos ensaios. Música ao vivo é isso: ouvir o outro, entender o outro”. No palco, estarão também os músicos Tovinho (teclados), André Julião (sanfona), Zi Ferreira (guitarra), Nando Barreto (baixo) e Cássio Cunha (bateria).
O repertório reúne uma sequência de sucessos consagrados, como Anunciação, Tropicana, Coração Bobo, Táxi Lunar, Pelas Ruas que Andei, Girassol, Como Dois Animais e Belle de Jour.
O espetáculo também presta homenagem a Luiz Gonzaga, com releituras de clássicos como Baião, Vem Morena, Sabiá, Xote das Meninas e Pagode Russo, reafirmando as raízes nordestinas que moldam a identidade musical de Alceu.
Entre o erudito e o popular
Para Petri, a aproximação entre música de concerto e MPB é mais natural do que muitos imaginam. “Música é música. A gente cria rótulos para analisar, mas isso às vezes atrapalha. A música de concerto nasceu da música popular. Beethoven, por exemplo, usava danças populares da época. A distância não é tão grande assim”.
Esse tipo de concerto, segundo o maestro, ajuda a desconstruir a ideia de que a orquestra é algo distante do público. “A origem é a mesma, é humana. O que muda é o nível de elaboração. Quando você mostra isso, todo mundo ganha”.
Um presente para a cidade
O fato de ser um concerto gratuito, ao ar livre e no aniversário da cidade torna o momento ainda mais simbólico. “Vai ter gente que nem sabia que ia ter show e, de repente, ganha um presente. Isso aproxima muito a orquestra de novos públicos”.
Petri também fala com emoção sobre sua relação com Santos e com a história da OSMS, que completa 30 anos. “Participei de todos os aniversários da cidade com a orquestra. Esse concerto é um agradecimento meu e da orquestra ao povo santista, por ter acreditado e mantido esse projeto por tanto tempo”.
A experiência do show
A promessa é de um espetáculo marcado pela emoção e pela festa. “O assunto é o Alceu — ele vai pular, conversar com o público, cantar daquele jeito delicioso. A orquestra entra como se colocasse um figurino novo na música dele, sem desfigurar, pelo contrário, enriquecendo”.
E arremata, com bom humor: “Quem é fã vai cantar junto. Quem gosta de orquestra vai ver a orquestra em clima de celebração. É difícil ouvir Alceu Valença e ficar parado”.



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