
O setor de alimentação e bebidas apresentou uma deflação de – 0,18% em junho, segundo dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado interrompeu uma sequência de nove meses consecutivos de alta e marca a primeira queda do grupo no ano, dando alívio para consumidores e empresários do ramo.
Esse foi o único dos grupos de produtos e serviços pesquisados a apresentar variação negativa em junho. Em maio, o mesmo grupo havia registrado alta de 0,17%, o que torna a mudança ainda mais significativa para o setor.
A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes da Baixada Santista (Abrasel) avalia que o período anterior foi marcado por dificuldades para os comerciantes do setor. Segundo o líder institucional, Luan Paiva, os empresários enfrentaram meses de pressão para manter preços controlados e evitar demissões durante o período de alta inflacionária.
“De fato, mesmo sendo um índice pequeno, é um respiro, mas o cenário ainda preocupa e seguimos acompanhando de perto para orientar melhor todos”, diz o líder institucional. Somente a comida comercializada em restaurantes, bares e estabelecimentos similares, apresentou desaceleração. A variação passou de 0,58% em maio para 0,46% em junho.
PRODUTOS BÁSICOS
O comportamento dos alimentos básicos foi determinante para o resultado da deflação no setor. O ovo de galinha liderou as quedas, com deflação de 6,58%, seguido pelo arroz, que registrou queda de 3,23%. As frutas também contribuíram para o resultado, com recuo de 2,22% nos preços. Na contramão, o tomate foi o produto que registrou maior alta no período, com variação de 3,25%.
PERFIL
Para Paiva, as lanchonetes e pequenos restaurantes populares foram os mais afetados, já que, atendem majoritariamente ao público de menor renda, que também foi impactado pela inflação e reduziu o consumo fora de casa.
“Além disso, esses estabelecimentos operam com margens muito pequenas e são mais sensíveis a oscilações no preço de insumos básicos como arroz, óleo, carnes e hortifrúti. Já bares com foco em entretenimento e ticket médio mais elevado conseguiram manter um pouco mais de estabilidade por atenderem a um público com maior poder aquisitivo”, afirma o líder.
EXPECTATIVA
Segundo ele, a expectativa da Abrasel Baixada Santista para o segundo semestre de 2025 é positiva, mas cautelosa.
“A deflação em alguns insumos alimentares traz um alívio importante, principalmente para os pequenos e médios negócios. Porém, entendemos que este momento ainda requer atenção: os custos com energia, aluguel e folha de pagamento seguem pressionando a margem dos estabelecimentos”, declara Luan.
Ele ainda finaliza, “se houver continuidade no controle da inflação e crescimento moderado da economia, acreditamos sim em uma recuperação mais consistente e sustentável, com geração de empregos e expansão do consumo”.
OUTROS GRUPOS
Os demais grupos do IPCA registraram comportamento variado em junho. O grupo habitação, que inclui a energia elétrica, liderou as altas com 0,99%, seguido por vestuário com 0,75%. Os transportes registraram 0,27%, despesas pessoais 0,23%, e comunicação 0,11%. Os grupos artigos de residência e saúde e cuidados pessoais apresentaram 0,08% e 0,07% respectivamente. A educação manteve estabilidade.


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