Economia

Santos possui 30% dos profissionais de beleza e estética da região

02/12/2025 Mariana Nerome
Envato

A decisão de abrir um salão, montar um espaço de estética ou começar a atender clientes em casa une paixão pelo ofício, vontade de ser dono do próprio negócio e a chance de transformar talento em empreendedorismo. É o que mostra pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP). Santos reúne 5.393 microempreendedores individuais (MEIs) no segmento de beleza e estética, o que representa 30% de todos os profissionais formalizados da Baixada.

Na região, os serviços tradicionais como cabelo, unhas e barbearia predominam com força ainda maior que no restante do Estado: a proporção chega a 3,9 profissionais tradicionais para cada um que atua com estética avançada, enquanto a média paulista fica em 2,6 para 1.

“Santos concentra esse volume de profissionais principalmente por ser o polo econômico e comercial da região. A cidade possui maior densidade populacional, fluxo diário elevado de pessoas, maior poder de consumo e forte presença de estabelecimentos comerciais, clínicas e serviços, o que cria um ambiente mais favorável para negócios voltados ao autocuidado e à estética”, afirma o consultor financeiro do Sebrae-SP Rodrigo Martins.

Além disso, ele cita que o município também concentra instituições de ensino e cursos profissionalizantes, facilitando a formação técnica desses profissionais e estimulando o empreendedorismo formal, inclusive por meio do MEI.

Para o consultor, os serviços tradicionais como cabelo, unhas e barbearia exigem menor investimento inicial, menor complexidade técnica e permitem retorno financeiro mais rápido. Segundo Rodrigo, a estética avançada demanda equipamentos, qualificação técnica e investimentos mais elevados, o que reduz a entrada de novos empreendedores.

DESAFIOS

O consultor do Sebrae-SP identifica na Baixada Santista obstáculos comuns ao setor: muitos empreendedores não separam finanças pessoais das do negócio, praticam precificação baixa que compromete a lucratividade e competem apenas por preço diante da forte concorrência. A dificuldade em fidelizar clientes sem estratégias de relacionamento, o uso de redes sociais sem planejamento comercial claro e a falta de gestão de estoque para quem comercializa produtos também aparecem como gargalos.

Martins aponta que negócios fecham mais por gestão deficiente do que por falta de clientes. Entre os principais motivos de encerramento das atividades estão ausência de controle financeiro, mistura de contas pessoais com as da empresa, preços mal calculados, falta de capital de giro, endividamento, baixo volume de clientes recorrentes e desorganização fiscal e administrativa.

Sobre o valor médio de investimento inicial, o consultor pondera que pode ser suficiente para começar, especialmente em atividades domiciliares, porém não garante competitividade. “Os erros mais comuns são investir tudo em equipamentos e não reservar capital de giro para três meses, não prever gastos fixos dos primeiros meses, subestimar gastos com divulgação e começar sem planejamento financeiro”, enumera.

Para ele, investir pouco não significa baixo risco, pois negócio sem planejamento encerra as atividades rapidamente, independentemente do valor aplicado.

CENÁRIO ESTADUAL

No âmbito estadual, a pesquisa constatou que apenas 18% dos empreendedores abriram o estabelecimento pela necessidade de obter renda. A maioria dos entrevistados apontou como razão principal o desejo de transformar uma paixão em algo concreto (26%), a identificação de oportunidade de negócio (22%) ou a busca por autonomia (20%).

O levantamento identificou 304,2 mil microempreendedores individuais ativos no setor em São Paulo. Desse total, 219.890 (72%) trabalham como cabeleireiro, manicure e pedicure, enquanto 84.395 (28%) dedicam-se à estética e outros serviços de cuidados com a beleza. Entre os estabelecimentos, 42% têm entre um e três anos de atividade, o que indica uma predominância de empreendimentos recentes.

Antes de formalizar o próprio negócio, 54% dos profissionais tinham emprego com registro em carteira. O investimento médio para começar ficou em R$ 4.905,68. A maioria dos estabelecimentos funciona em salas e prédios comerciais (28%), lojas de rua (27%) ou na própria casa do empreendedor (23%).

REDES SOCIAIS

O atendimento de qualidade e o relacionamento com o cliente aparecem como fatores mais importantes para o sucesso na avaliação de 54% dos entrevistados. Para atrair público, a divulgação nas redes sociais lidera com presença em 87% dos estabelecimentos. O Instagram mostra-se a plataforma preferida (79%), seguido por Facebook (53%) e TikTok (35%).

Promoções e descontos integram a estratégia de 59% dos profissionais, enquanto metade deles conta com o “boca a boca”. Além da prestação de serviços, 76% dos estabelecimentos também vendem produtos, e entre esses, 78% estimam que o comércio responde por 26% do faturamento.

O interesse em aprender marketing digital aparece em 58% dos entrevistados. Gestão financeira desperta a atenção de 48%, e inovação e tendências atraem 44%.

“A pesquisa revela que o empreendedor da beleza não entra apenas por dinheiro, mas por paixão, vocação e vontade de autonomia. Isso é positivo, mas precisa vir acompanhado de capacitação em gestão, pois paixão sustenta o início, mas é a boa gestão que sustenta o negócio ao longo do tempo”, avalia Martins.