
Inovação alia gestão de águas pluviais e paisagismo em projeto na Ponta da Praia
Santos dará início à construção de sua primeira rotatória verde com ilha de chuva, uma inovação que une urbanismo sustentável e gestão eficiente das águas pluviais. Parte do projeto Santos Sustentável, a iniciativa será implementada no cruzamento da Avenida Governador Fernando Costa com a Rua Maria Máximo, no bairro Ponta da Praia, com inauguração prevista para o dia 6 de junho. Além dessa rotatória piloto, outras cinco ou seis estão em análise pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que definirá os locais de implantação. O projeto é da Semam (Secretária Municipal do Meio Ambiente) e está sendo implantado pela Sepref (Secretária das Prefeituras Regionais).
Enquanto as rotatórias convencionais têm como principais funções o controle do trânsito e a redução da velocidade dos veículos, a rotatória verde com ilha de chuva cumpre um papel técnico adicional: contribuir para a drenagem urbana e aumentar a permeabilidade do solo. O assessor técnico que acompanha o andamento da obra, Alessandro Lopes, destacou essa diferença.
“A rotatória verde com jardim de chuva tem uma função mais técnica. Ela colabora com a absorção da água da chuva, especialmente em áreas que frequentemente sofrem alagamentos. Funciona como um grande ralo, onde a água é captada e infiltrada no subsolo, ajudando a evitar enchentes e recarregando o lençol freático”, explicou Lopes.
Ele também descreveu os dois tipos de jardins de chuva que podem ser aplicados: por infiltração e por encaminhamento.
“No sistema por infiltração, a estrutura funciona como uma ‘lasanha’, com várias camadas que atuam como filtros para reduzir a velocidade da água e permitir sua entrada direta no solo. Já no sistema por encaminhamento, há um reservatório sob a praça, conectado ao sistema de drenagem urbana. Esse reservatório retém a água da chuva e, posteriormente, a libera nas galerias pluviais. A primeira rotatória em Santos será do tipo por infiltração, mas futuros projetos incluirão ambos os modelos.”
A implantação dessa tecnologia reflete uma tendência global de urbanismo sustentável, transformando as cidades em espaços mais resilientes às mudanças climáticas. Além da rotatória, o projeto Santos Sustentável contempla outras intervenções paisagísticas que substituem o asfalto por áreas verdes e pequenos jardins.
“As faixas zebradas de proibido estacionar que existem geralmente em esquinas devem ser transformadas também em breve em jardins de chuva por infiltração e de encaminhamento”, ressaltou Lopes.
Diversas cidades brasileiras, como São Paulo, São Caetano do Sul, Palmas, Mogi Guaçu, Curitiba e Maringá, já investem em rotatórias verdes como parte de seus projetos de paisagismo sustentável. Em Santos, a escolha da Ponta da Praia se deve à necessidade de soluções para alagamentos frequentes, agravados pela combinação de chuvas intensas e ressacas marítimas.


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