Cena

Santos Film Fest abre inscrições gratuitas para filmes neste sábado

09/01/2026 Isabela Marangoni
Ludmila Mafra

O Santos Film Fest – Festival de Cinema de Santos chega à sua 12ª edição reafirmando o compromisso com a diversidade do audiovisual brasileiro, a formação de público e a democratização do acesso à cultura. Realizado pelo Instituto CineZen Cultural, o festival abre inscrições gratuitas para filmes de todo o país a partir deste sábado (10), com prazo até o fim de abril. Em 2026, o evento amplia suas mostras e projeta bater um novo recorde de produções inscritas.

Segundo o cineasta e idealizador do festival, André Azenha, a principal mudança desta edição está no calendário. Tradicionalmente realizado no fim de junho, o Santos Film Fest acontecerá em agosto, ainda sem data definida. “Por conta da Copa do Mundo, optamos por transferir o festival para agosto. Estamos finalizando o calendário”, explica.

A programação mantém as mostras competitivas nacionais de longas e curtas-metragens, divididas entre ficção, documentário e animação, além da mostra regional competitiva. Segue também a Mostra Humanidades, em âmbito nacional e regional, dedicada a obras que abordam cidadania, direitos humanos e questões sociais. Iniciativas já consolidadas, como a mostra de filmes periféricos e a mostra universitária — pioneira em Santos — permanecem no programa.

Entre as novidades, está o retorno da Mostra de Filmes de Terror e a criação de uma nova categoria: a Mostra de Filmes de Um Minuto, em formato horizontal. “Não é vídeo de Instagram. É um filme de um minuto, com roteiro e linguagem cinematográfica, seja ficção ou documentário”, ressalta André. A proposta é estimular novos realizadores a exercitarem a linguagem do cinema. “Expandimos as mostras porque acreditamos que o cinema é diversidade de olhares, temas e estilos”.

As inscrições seguem totalmente gratuitas — uma das marcas do festival — e ficam abertas no site até o fim de abril, configurando um dos maiores períodos de inscrição da história do evento. Em 2025, o Santos Film Fest recebeu 908 filmes. Para este ano, a expectativa é superar esse número. “A ideia é bater novamente o recorde e ter um panorama ainda mais amplo do cinema brasileiro contemporâneo”, afirma o diretor.

A diversidade de produções é um dos pilares do festival. “Recebemos de tudo: comédia, ação, dramas históricos, documentários, filmes de kung fu brasileiro. Em anos eleitorais, chegam muitos filmes com temática social, indígena e LGBTQIAPN+”, conta. “Não trabalhamos com recortes fechados. A proposta é essa visão plural”.

A seleção é realizada por um júri formado por professores, críticos, cineastas e atores, seguida por um trabalho curatorial que busca oferecer ao público o melhor dessa diversidade. Manter a gratuidade das inscrições e da programação é uma escolha política e cultural. “O Brasil ainda não tem uma indústria de cinema independente como Hollywood. Muitos realizadores produzem com editais municipais ou recursos próprios. A inscrição gratuita facilita o acesso e democratiza a participação”, destaca.

Outro eixo fundamental do Santos Film Fest é a descentralização das sessões, que acontecem em cerca de 15 pontos da cidade, incluindo morros, bairros periféricos, creches e a área continental. “A arte vai onde o povo está. Muita gente não tem condição de ir ao cinema, às vezes nem dinheiro para o transporte”, afirma. As exibições contam com estrutura profissional, telão de LED, tapete vermelho e distribuição de pipoca. “Misturamos curtas brasileiros com grandes blockbusters para encantar o público e criar vínculo com o cinema nacional”.

Relevância
O impacto do Santos Film Fest extrapola o campo cultural. “Colocamos Santos no mapa dos principais festivais de cinema do Brasil”, afirma. O evento também movimenta a economia local, fortalecendo o comércio de bairro, o transporte, a rede hoteleira e os serviços. No campo social, se destaca por ações como o Cine Azul, voltado a pessoas com deficiência, em parceria com o grupo Inclusão para Todos.

Há ainda um trabalho contínuo de resgate histórico e valorização de talentos locais, com homenagens a nomes como o ator Luciano Quirino, a primeira cineasta negra brasileira Adélia Sampaio e a cineasta Julia Katharine, além de pioneiros do audiovisual santista. “O festival acaba atuando na vanguarda e inspirando outros projetos culturais da cidade”, observa André.