
O hiato de sete anos do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo poderia ter cercado de maiores perspectivas a edição de 2025. O evento não só venceu a desconfiança e os efeitos da pandemia como retornou ao Distrito Anhembi 11 anos depois da última edição realizada no pavilhão localizado na Zona Norte de São Paulo.
A volta do Salão reafirma um traço singular do mercado brasileiro: o carro segue sendo (depois da casa própria) um dos bens de consumo mais desejados e, para muitos, até um investimento. Mesmo com juros altos, crédito restrito e inflação nos insumos, o público retorna aos pavilhões para medir tendências. No Brasil, o automóvel sustenta um peso econômico que ultrapassa o transporte: movimenta cadeias industriais, orienta decisões de crédito e funciona como “ativo” percebido, capaz de preservar valor em momentos de incerteza.
Após sete anos, o evento volta a expor essa dinâmica e mostra como o consumidor brasileiro permanece ancorado no carro — bem essencial, símbolo de ascensão e, não raro, aposta financeira.
O anseio em torno do evento foi confirmado, uma vez que o Salão já está marcado para ser realizado no próximo ano.
Enquanto marcas como Chevrolet, Ford e Volkswagen não estarão presentes, outras chegam com força, como as novatas Omoda & Jaecoo, GAC, Geely (que retorna ao Brasil), além do evento contar com todos os nomes que englobam o Grupo Stellantis.
E, se por um lado, o retorno do Salão do Automóvel a São Paulo não reúne as maiores perspectivas, por outro apresenta algumas novidades, seja em termos de produtos ou de planos que as marcas têm para o Brasil.
A Geely, por exemplo, anunciou que o EX5 EM-i será produzido na planta da marca instalada no Complexo Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR), como parte da parceria industrial entre Renault e Geely, que prevê investimentos de R$ 3,8 bilhões na produção e desenvolvimento de eletrificados no Brasil. O modelo híbrido oferece até 200 km de automomia no modo elétrico.
A Omoda & Jaecoo, que já vendeu mais de 10 mil veículos no País desde sua chegada, quer atingir 50 mil unidades em 2026. Para isso, conta com os Jaecoo 5 e 8. O primeiro é um híbrido formado por um 1.5 turbo e um propulsor elétrico de mais de 200 cv. O segundo, com 4,82 m de comprimento, tem o mesmo motor a combustão, mas trabalhará com dois elétricos. Chega no segundo semestre de 2026.
IRADOS
A Honda foi ao passado revelar seu carro do futuro. Em 2026, exatos 30 anos depois de sair de linha, o Prelude estará de volta como um híbrido que entrega 203 cv de potência e 32,1 kgfm de torque. Irá dividir com o Civic Type R a gama de esportivos da marca para o Brasil. Um Type R custa em torno de R$ 430 mil.
Quem também mostrou as caras foi o Toyota Yaris Cross, lançado a partir de R$ 161.390 na versão XRE a combustão e a híbrida a R$ 172.390. Outra novidade é o Yaris GR, um hatch esportivo que estará disponível a partir de abril de 2026 e será um esportivo menor que o GR Corolla. A única informação confirmada é que o iradinho terá versões com transmissão manual de seis velocidades ou automática.
Já a Hyundai aposta nos novos IONIQ 5 e 9. O segundo é um elétrico que pela primeira vez desembarca na América Latina. O elétrico tem autonomia de 620 km e carrega de 10% a 80% em 24 minutos. O IONIQ 5 atinge a mesma carga em 18 minutos.
A Caoa Chery encerrou o primeiro dia apresentando o Tiggo 9. O SUV, que será o topo de linha da marca no Brasil, estreia em janeiro, com 4,82 m de comprimento, 1,93 m de largura, 1,69 m de altura e 2,82 m de entre-eixos. Com motor 1.5 aliado a dois elétricos (mesma motorização do Jaecoo 8), a potência vai além dos 500 cv.
CAOA CHANGAN
O Grupo Caoa aproveitou a ocasião para selar a parceria com a chinesa Changan e criar uma nova marca no Brasil, depois da separação da Hyundai. A Caoa Changan terá em seu estande o Avatr 11, um SUV cupê com pegada urbana, e o Avatr 012, um crossover que combina características de cupê.


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