Política

Lideranças cobram contrapartidas no leilão do Tecon 10

21/05/2025 Marco Santana
Lideranças cobram contrapartidas no leilão do Tecon 10 | Jornal da Orla

A Frente Parlamentar Mista de Portos e Aeroportos (FPPA) solicitou, formalmente, que o texto do edital do leilão do Tecon 10 delegue ao vencedor a responsabilidade imediata de execução da obra, logo após a assinatura de contrato; além da construção do cais público, uma reivindicação dos trabalhadores portuários.

Harmonia
O assunto foi tratado ontem em reunião do diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Caio Farias, com o prefeito de Santos, Rogério Santos (Republicanos) e o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), que é presidente da FPPA. “É fundamental  conciliar desenvolvimento econômico à qualidade de vida da população”, argumentou Barbosa.

Responsabilidade
Rogério Santos destacou que o objetivo da Prefeitura é garantir que os investimentos atendam aos interesses dos trabalhadores portuários, do empresariado local e da população santista. “Estamos atuando com coragem e responsabilidade. Não é hora de discurso, é hora de ação. Por isso acompanhamos de perto cada etapa, seja no governo federal, no governo do estado de São Paulo ou nas agências reguladoras, para obter o melhor resultado possível”.

Megaterminal
Com leilão previsto para acontecer em dezembro, o Tecon Santos 10 é um projeto para instalação de um megaterminal no Cais do Saboó, na margem direita do complexo marítimo, que promete aumentar em 50% a movimentação de contêineres no Porto de Santos. O empreendimento prevê investimentos de R$ 5,6 bilhões ao longo de 25 anos, com a geração estimada de 3.300 empregos diretos. Além disso, inclui a construção de quatro berços de atracação, com capacidade para movimentar 3,5 milhões de TEUs, medida padrão internacional dos contêineres de 20 pés, por ano.

O momento de Guarujá
Em concorrida audiência pública na Câmara de Guarujá, na noite de segunda-feira (19), o diretor-presidente da Autoridade Portuária de Santos (ASP), Anderson Pomini, destacou os benefícios que o túnel imerso proporcionará à cidade. “Santos é uma cidade muito pujante, se desenvolveu por causa do porto. Chegou o momento do Guarujá. Estamos fazendo uma conexão que deveria ter sido feita há muitos anos. A boa infraestrutura que é conhecida em Santos virá para o Guarujá”, afirmou.

Valorização
Pomini ressaltou que os terrenos próximos às saídas do túnel serão valorizados. “A área perto da Prainha será muito demandada por empresas de logística. Só o anúncio do túnel já fez com que o metro quadrado fosse bem valorizado. Se eu fosse proprietário, eu esperava um pouco, para vender por cinco até 10 vezes mais o valor do metro quadrado”.

Compensações
Outro ponto ressaltado por Pomini na reunião foi a possibilidade de a cidade receber investimentos de empresas portuárias, como contrapartida pelos impactos causados por sua atuação. Ele citou a experiência de sucesso em Santos, com a implantação de lei criada durante a gestão de Paulo Alexandre Barbosa como prefeito.

Desapropriações
No entanto, a grande preocupação dos presentes, tanto vereadores quanto munícipes comuns, é com relação às desapropriações que devem acontecer nas saídas do túnel. Pomini buscou tranquilizar. “O traçado é imutável, mas os acessos poderão receber contribuições em eventos como esse”, disse.

Rotas
O vereador Edilson Dias (PT), que convocou a audiência pública, explicou a este colunista que existe a preocupação de moradores de uma área com 700 moradias, na Prainha, e também em relação ao traçado das vias acessórias, no lado de Guarujá. No evento, Pomini afirmou que as rotas serão decididas pela Câmara e a Prefeitura, e as desapropriações feitas pelo valor de mercado. “É o que consta no estudo da Fipe, que está anexado ao edital já publicado”, explicou.