Economia

Região vende 1.272 unidades residenciais no terceiro trimestre

14/11/2025 Mariana Nerome
Fernando Yokota

A Baixada Santista comercializou 1.272 unidades residenciais verticais (préditos) no terceiro trimestre de 2025, número que representa o crescimento de 4% em relação ao trimestre anterior. Os dados da Brain Inteligência Estratégica, apresentados no evento “O Imobiliário na Era da Inteligência Artificial”, do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais (Secovi-SP), mostram que a região mantém vendas em patamar elevado mesmo com taxa Selic em 15%.

O estoque disponível nas noves cidades totalizou 5.539 unidades, concentrado principalmente em Praia Grande, que responde por 55,4% da oferta.

“Por incrível que pareça, a gente achou que esse ano as vendas fossem estabilizar devido à taxa de juros alta, um mercado, enfim, muito ofertado. Mas não. O mercado da Baixada vendeu bem”, afirmou o diretor regional do Secovi-SP em Santos, Carlos Meschini.

Praia Grande representa o maior volume da região. A cidade concentra também 24,2% de disponibilidade sobre a oferta lançada, índice superior ao das demais cidades da Baixada.

“A Praia Grande sempre é o destaque, porque o município ainda tem um potencial de crescimento muito grande. Já a cidade de Santos é a mais verticalizada do Brasil, com maior tendência de crescimento imobiliário e valores altos”, disse Meschini.

O valor médio do metro quadrado privativo em residenciais verticais na região atingiu R$ 11.237 no terceiro trimestre de 2025, alta de 2,6% em relação ao trimestre anterior e crescimento de 12% desde o terceiro trimestre de 2021.

A taxa Selic em 15% gerou expectativa de resfriamento no mercado, mas os números contrariam a previsão. “Se nós formos olhar ao pé da letra, os juros altos só tem um motivo. É o enfraquecimento da economia. E mesmo com os juros altos, a gente tinha inúmeros recordes. Por quê? O desejo de compra ainda está muito alto”, analisou o sócio consultor da Brain Inteligência Estratégica, Marcelo Gonçalves.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O evento trouxe também como tema central a entrada da inteligência artificial no setor. Segundo o vice-presidente do Interior do Secovi-SP, Frederico Marcondes, mais de mil imobiliárias no país já utilizam sistemas de IA para atendimento, com 3 milhões de pessoas conversando com assistentes virtuais em busca de serviços imobiliários.

“Qual vantagem que nós temos? Ela está trabalhando 24 horas para nós. Ela trabalha de segunda a segunda, sete dias na semana, 365 dias no ano. Antes você tinha que manter um plantonista para atender clientes, não atendia sábado à noite, não atendia domingo”, afirmou Marcondes.

Diante deste cenário, o gestor de Relacionamentos Estratégicos da Laís (inteligência artificial para o setor imobiliário), Diego Bonastre, afirma que percebeu uma mudança no perfil dos corretores, principalmente os mais velhos.

“O corretor mais antigo vem mudando com o tempo. Antigamente, a gente via que o dono da imobiliária ainda era um corretor que tinha sido muito bem sucedido. Agora, está chegando um pessoal mais jovem, uma formação diferente, voltado mais para processo tecnológico”, ressalta Bonastre.

O gestor apontou sinergia entre as gerações. “O mix desses dois primeiros mundos, o corretor mais antigo mais experiente, o corretor novo mais cheio de gás, está sendo bacana. Atrelado a essa outra ponta do triângulo, que é a inteligência artificial, tem potencializado muito o resultado das imobiliárias”, enfatizou Diego.

Os representantes do setor ainda descartaram receio de substituição de profissionais pela tecnologia. “A IA, na realidade, é uma ferramenta hoje de complemento àquela sua atividade. Ela não vai ocupar espaço do ser humano”, finalizou Marcondes.