
Para muita gente, o mais antigo dos clubes de regatas de Santos não existe mais. A linda sede que despontava na Ponta da Praia, com uma rampa que dava acesso ao lindo salão de festas, que realizava bailes inesquecíveis de Carnaval, é apenas uma lembrança na memória de tantos santistas que foram criados ou viraram sócios do Clube de Regatas Santista.
Pendências na justiça e problemas acumulados obrigaram o clube a sair daquele espaço tão importante. Foi o tempo em que o “Regatas”, como os sócios costumavam falar, era um clube de ponta. Campeão em vários esportes, que também recebia os mais importantes espetáculos artísticos do Brasil. Shows como o do grupo Secos e Molhados, que estourou no País inteiro nos anos 1970, ainda estão na memória de quem viveu aquela noite. Não tinha espaço nem para se mexer no antigo Ginásio Octávio Correa.
A inesquecível apresentação da equipe norte-americana de basquete dos Globetrotters, ou um show dos Trapalhões, com Renato Aragão, Dedé, Mussum e Zacarias. O ginásio que servia de palco para os grandes artistas também foi sede de disputas emocionantes do Azulão, com seu timaço de futebol de salão, com Milton, Osvaldo Melo, Silas, Beto, Ulisses, Zé Luiz, Ferreira, Serginho, Gilberto, Olímpio. Depois a equipe se renovou com Flávio, Adilson, Noro, os irmãos Serginho e Miro Kabash, Burruga, Zezo, Dráuzio e Helinho.
O hóquei sobre patins teve nomes históricos como o goleiro Nilson Costa, que depois fez carreira em Portugal. Mais tarde, o filho dele, Nilson Bacalhau, repetiu o sucesso do pai no esporte, mas jogando como atacante. O clube serviu de base para a Seleção Brasileira da modalidade com Xixa, Terrroso, Teco, Haroldo e Mané. Mais tarde, os irmãos Pazos, Aristides, Oscar e Nereu também defenderam o clube com muita raça e uma técnica apurada. A patinação deu títulos internacionais à dupla Cadu Paiva e Simone Santana. Com Luciana Hoya, Diego Dores e Max Coelho. Voltando ainda mais no tempo, é possível recordar os heróis do remo, com vitórias espetaculares.
Os jogos no velho campo de futebol, as equipes de vôlei, basquete e bocha. A natação com a famosa Travessia, que trazia os maiores nomes deste esporte no país. Além do técnico Duda e do grande campeão Marcelo Mussumeci, que brilharam na piscina. São tantas histórias que ficaram no tempo e agora elas acabam de ser eternizadas pelo trabalho primoroso de pesquisa do escritor e memorialista Sérgio Williams, um craque do jornalismo que vem preservando a memória de Santos.
O livro foi lançado no último sábado, no Salão da Associação Atlética Banco do Brasil, na Avenida Ana Costa, em pleno Gonzaga. No lançamento, o presidente do clube, Newton Carvalho, que comanda o Regatas há 4 anos, estava feliz da vida. “É uma satisfação enorme ver tanta gente da antiga participando desse lançamento histórico. Todos vão ver a importância do clube para o esporte brasileiro. Um documento que vai ficar para a eternidade”.
O vice Aguinaldo Monteiro da Costa Fonseca, que é sócio há 66 anos, desde que nasceu. “Comecei no futebol de salão, fui para a natação e depois para o remo, que era o esporte do meu pai”. Newton, Aguinaldo e vários associados mantêm viva a história do clube, que hoje tem duas salas comerciais na Avenida Afonso Pena, 167, em Santos. “A gente está tentando reerguer o clube de um revés jurídico e, aos poucos, queremos fazer crescer o patrimônio do clube e a própria instituição”. É muito bom ver um clube tão tradicional reviver sua história e planejar um futuro para os associados e seus familiares.


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