
Em audiência pública sobre Violência Policial, na segunda-feira (4), na Câmara de Santos, a vereadora Débora Camillo (PSOL) sugeriu Moção dirigida aos deputados da região (estaduais e federais) para que reforcem o apoio à família do jovem Matheus Lopes. Aos 21 anos, o rapaz foi baleado durante operação policial, no Rádio Clube (Zona Noroeste), em junho. À época, trabalhava em um ferro velho e em uma obra no prédio onde mora o prefeito Rogério Santos.
Contrariando a Polícia, familiares e amigos dizem que o rapaz tem dois registros em carteira, nunca usou arma e, no dia em que foi atingido, estava ajudando no reparo de um barraco na favela. A parlamentar e o vereador Marcos Caseiro (PT) apontam uma série de irregularidades nos procedimentos de atendimento e processuais que levaram Matheus à prisão. A família tenta um habeas corpus em Brasília.
“Para azar dele, é um rapaz pobre, trabalhador, que mora na favela. Infelizmente, esse é o perfil. Esse é o perfil que parte da Polícia Militar, e da sociedade, enxerga como bandido por natureza”, afirmou Débora Camilo.
Segundo ela, a audiência pública foi uma forma de denunciar os abusos cometidos com frequência nas periferias, como os ocorridos durante as operações Escudo e Verão. “O que se vê é uma tentativa de criminalizar a pobreza”.
De acordo com relato do vereador e médico infectologista Marcos Caseiro, que fez um laudo pós-operatório, o tiro foi de baixo para cima: “Perfurou o abdômen e a artéria femoral, se não fosse jovem, estaria morto. Ficou na UTI, intubado, e saiu de lá direto para o camburão, que levou para o CDP, com pontos na parede abdominal, um verdadeiro foco de infecção nas condições de um presídio”.
Bastante emocionada, a mãe de Matheus Lopes, Ana Paula Balbino, conseguiu falar apenas que o filho trabalha desde os 15 anos. A irmã dela, Rose, disse que “a audiência de custódia ocorreu quando o sobrinho estava intubado” e, ao sair do hospital, não houve exame de corpo de delito – “ele não foi para o IML, nem fizeram perícia”. A familiar, disse ainda, que todas os procedimentos jurídicos que têm sido tentados são negados. Por isso, querem pedir habeas corpus em Brasília.
Além de Débora e Caseiro, estiveram presentes o vereador Chico Nogueira (PT) e representantes das Mães de Maio, das Mães da Operação Escudo e da Secretaria Municipal de Segurança.
Procurada pelo Jornal da Orla, até o fechamento da edição, a Secretaria de Estado da Segurança Pública não se manifestou sobre o assunto.


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