
Entre os gastos mensais obrigatórios, a alimentação ocupa posição central no orçamento das famílias brasileiras. Em Santos, os números de novembro revelam uma realidade ambígua: apesar da redução nos preços dos alimentos básicos, o custo para garantir uma cesta mínima continua a absorver parcela expressiva da renda dos trabalhadores. É o que mostra o estudo realizado pelo Departamento de Orçamento e Gestão da Prefeitura de Santos (Deorg), em parceria com a Universidade Católica de Santos (UniSantos) e apoio do Jornal da Orla. O preço médio da cesta básica santista chegou a R$ 758,24, com recuo de 1,07% em relação a outubro. Os dados referem-se ao período entre 26 de outubro e 25 de novembro.
Segundo a pesquisa, o trabalhador da cidade compromete 46,23% do salário-mínimo regional de R$ 1.640 apenas com a aquisição da cesta básica individual. O tempo necessário para custear esses alimentos soma 101,7 horas mensais de trabalho.
Em relação as localidades do município, a zona da orla registrou o preço máximo de R$ 832,79 e o mínimo de R$ 769,19 para a cesta básica completa. Nos Morros, os valores oscilaram entre R$ 745,82 no máximo e R$ 690,13 no mínimo. A zona Intermediária variou de R$ 757,20 no teto a R$ 695,46 no piso. A Zona Noroeste apresentou amplitude entre R$ 752,95 como valor máximo e R$ 685,06 como mínimo.
A amplitude entre o preço mínimo e máximo na Orla chega a R$ 63,60, enquanto nos Morros atinge R$ 55,69. Na zona Intermediária, a diferença soma R$ 61,74, e na Zona Noroeste alcança R$ 67,89.
RANKING
Dos 13 itens monitorados (arroz, feijão, açúcar, óleo, farinha, leite, carne, tomate, banana, batata, pão, café e margarina), o tomate apresentou a maior desvalorização entre os produtos com redução de 11,30%. O leite recuou 4,27% e o feijão registrou diminuição de 2,94%, ambos contribuindo para aliviar parcialmente o orçamento familiar.
Por outro lado, a farinha de mandioca encareceu 5,18%, e o óleo de soja subiu 4,67%. A carne bovina (acém), item de maior peso na composição da cesta, teve alta de 2,10%, reforçando a forte contribuição no custo total de 32,08% da cesta básica.
CENÁRIO
Segundo o relatório do estudo, o cenário regional dialoga diretamente com o debate nacional sobre insegurança alimentar. “O Brasil registra crescimento da renda média e queda de 18% no coeficiente de Gini, indicadores que sugerem redução da desigualdade. Contudo, a persistência de preços elevados nos alimentos limita o acesso regular a uma dieta adequada e compromete a qualidade nutricional das refeições. A inflação alimentar corrói ganhos reais de renda, especialmente entre as camadas populares, onde a margem orçamentária mostra-se mais estreita”, explica o texto.
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) associam a redução recente da pobreza ao aquecimento do mercado de trabalho e à expansão de programas como o Bolsa Família. O programa de transferência de renda alcança milhões de famílias e proporciona acesso mínimo a bens essenciais.
No documento ainda há a explicação de que a recuperação econômica observada nos últimos anos não neutraliza completamente os efeitos da inflação alimentar, que segue pressionando orçamentos familiares e impondo escolhas difíceis entre diferentes necessidades básicas. “O descompasso entre renda e alimentação básica ajuda a explicar por que milhões de brasileiros seguem em algum grau de insegurança alimentar que não reflete apenas a falta de alimentos, mas principalmente a dificuldade de mantê-los de forma regular, nutritiva e adequada”.
CAPITAIS
A cesta básica ficou mais barata em 24 das 27 capitais do país em novembro, segundo pesquisa da Conab e do Dieese. Macapá liderou as reduções com queda de 5,28%, seguida por Porto Alegre (4,10%), Maceió (3,51%), Natal (3,40%) e Palmas (3,28%).
Apenas três cidades registraram alta: Rio Branco (0,77%), Campo Grande (0,29%) e Belém (0,28%). Aracaju apresentou o menor valor médio (R$ 538,10), enquanto São Paulo teve o maior custo (R$ 842,26). Florianópolis (R$ 800,68), Cuiabá (R$ 789,98), Porto Alegre (R$ 789,77) e Rio de Janeiro (R$ 783,96) completam a lista das cinco capitais com cestas mais caras.


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