
A Polícia Civil está fechando o cerco para identificar os mandantes do assassinato de ex-delegado Ruy Ferraz, executado em 15 de setembro, com 20 tiros de fuzil, após sair da Prefeitura de Praia Grande, onde trabalhava como secretário municipal de Administração.
O Jornal da Orla apurou junto a uma pessoa que está envolvida nas investigações de que a motivação está “90%” identificada: os indícios materiais e testemunhais coletados até agora mostram que o caso não tem a ver com vingança (na ativa, Ferraz foi responsável por comandar ações que resultaram na prisão de membros do PCC) e sim com um processo de licitação de R$ 24,8 milhões, para ampliação do sistema de monitoramento por câmeras.
Ruy Ferraz teria descoberto irregularidades, que favoreceriam Gilberto Aparecido dos Santos, o Fuminho, integrante da facção criminosa atualmente cumprindo pena na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR). Considerado o considerado braço logístico do PCC no tráfico internacional de drogas, Fuminho foi preso em 2020, em Moçambique e extraditado para o Brasil.
Segundo esta fonte do Jornal da Orla, os investigadores conseguiram identificar os executores do crime e agora buscam reunir provas contra os mandantes. Os policiais prometem “ir até o fim”, pois Ruy Ferraz era muito respeitado na corporação e resolver o caso passou a ser uma questão de honra.
Executores
Os policiais já identificaram os ocupantes do carro usado na execução. Um deles é Umberto Alberto Gomes, morto após entrar em confronto com equipes da Polícia Civil no último dia 30, no Paraná. Os investigadores acreditam que ele é o bandido que estava no banco do passageiro do carro ocupado pelos executores, pela altura e os trejeitos.
No telefone celular dele, a polícia encontrou fotos da Prefeitura de Praia Grande feitas em maio, o que comprovaria que Ruy estava sendo monitorado desde essa data.
Do grupo que estava no carro, os investigadores acreditam que apenas um realmente seja policial. É o que sai do veículo e faz o trabalho de contenção, com a “leitura” do local, para a ação do outro que executa o delegado.
As investigações apontam que os assassinos nunca fizeram parte de forças regulares de segurança (Polícia ou Forças Armadas), mas que receberam treinamento com especialistas, para o manuseio de armas e táticas de ataque, em campos de prática de paint-ball. Fariam parte do Novo Cangaço, quadrilhas que atacam cidades do interior sem capacidade de defesa ou mesmo atuam como assassinos de aluguel.
Por conta do armamento usado, “de primeira categoria”, Ruy Ferraz não teria chance alguma de sobreviver à ação, mesmo se estivesse em um carro blindado.
O trabalho policial revelou também que Felipe Avelino da Silva, o Mascherano, já estava em Praia Grande no domingo, véspera do crime, conduzindo um Fiat Mobi.
No momento, os investigadores apuram com atenção e cautela a participação, ou nível de conhecimento na irregularidade do contrato, de uma figura que aparece em outro caso: o assassinato do então secretário de Governo de Guarujá, Ricardo Joaquim de Oliveira, em 2012.
Embora não tenha tido participação no crime, este personagem apareceu em conversas telefônicas com os mandantes do homicídio.


Deixe um comentário