Economia

PIB das construtoras tem projeção de crescimento de 2,7% em 2026

11/01/2026 Alexandre Gois
PIB das construtoras tem projeção de crescimento de 2,7% em 2026 | Jornal da Orla

A projeção de crescimento de 2,7% no PIB das construtoras em 2026 reforça um cenário de otimismo, ainda que moderado, para a indústria da construção civil no Brasil — e a Baixada Santista aparece como uma das regiões com maior potencial de aproveitamento desse ciclo positivo. O ano começa sob condicionantes que estimulam investimentos, ampliam o crédito e indicam reflexos diretos na geração de empregos e na dinâmica do mercado imobiliário regional.
Segundo estimativa conjunta do SindusCon-SP e do FGV Ibre, o PIB da construção deve crescer, em média, 2,7% em 2026, com avanço de 2,8% no segmento formal das construtoras e de 2,6% na “construção informal”, como são denominadas as autoconstruções (realizadas com projetos de engenheiros, mas custeadas por pessoas físicas) e as reformas.
A expectativa é sustentada, sobretudo, pela sinalização de início da queda da taxa básica de juros a partir de março, o que tende a reduzir o custo do financiamento à produção e, gradualmente, os juros do crédito imobiliário.

PONTOS DE DESTAQUE
Na Baixada Santista, esse movimento encontra um mercado que já vinha demonstrando resiliência nos últimos anos. Para Lucas Muniz Elias Teixeira, diretor regional do SindusCon-SP na região, há fatores estruturais que fortalecem a perspectiva positiva.
“O setor da construção inicia o ano com perspectivas positivas e três pontos merecem destaque: o consumo significativo dos estoques imobiliários ao longo dos últimos anos tem impulsionado a programação de novos lançamentos, atendendo diferentes perfis de demanda; o aumento do volume de obras públicas, movimento comum em anos eleitorais; e a expectativa de redução da taxa básica de juros, fator que tende a ampliar o acesso ao crédito e estimular a procura pelo financiamento imobiliário”, afirma.

OBRAS PÚBLICAS
O calendário eleitoral também é apontado como um vetor importante de curto prazo. Até abril, estados e municípios tendem a intensificar investimentos em obras públicas, o que favorece empreiteiras, empresas de serviços especializados e toda a cadeia produtiva da construção.
Soma-se a isso o avanço de programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, que deve iniciar novas obras em 2026, além da entrada em operação do Programa Reforma Casa Brasil, voltado a melhorias habitacionais e com impacto direto também sobre o segmento formal.
Para Carlos Meschini, diretor regional do Secovi-SP em Santos: “Esses elementos criam um ambiente favorável ao desenvolvimento do setor, reforçando a importância da construção civil como vetor de crescimento econômico e gerador de emprego e renda”, destaca.
Meschini observa que, apesar da taxa Selic ainda se manter em patamar elevado no início do ano, o mercado imobiliário dispõe hoje de um diferencial importante. “As taxas de juros exercem papel fundamental como balizador da atividade econômica e, naturalmente, impactam o setor imobiliário. Ainda assim, o mercado conta hoje com juros praticadas no financiamento habitacional permanecem abaixo da taxa Selic, o que preserva a atratividade da aquisição da casa própria”, explica.

Programas habitacionais são molas para o setor

E são os juros especiais praticados na construção que mantém o apetite e a força dos novos lançamentos, sustentando a diversidade do mercado nacional e regional. “Para 2026, as perspectivas são bastante favoráveis, com a previsão de diversos lançamentos voltados a diferentes perfis de público, que vão desde empreendimentos de alto e altíssimo padrão até projetos enquadrados em programas habitacionais mais populares”, afirma oo dirigente do Secovi-SP.
Iniciativas como o Minha Casa, Minha Vida ampliam o acesso ao crédito, estimulam a demanda e ajudam a manter o ritmo de negócios. Dessa forma, programas em diferentes esferas são propulsores do setor. Principalmente nas faixas 3 e 4 de público. Sendo a 3 com renda de R$ 4.000,01 a 8 mil reais; e a 4 com renda de R$ 8.000,01 a R$ 12 mil. Para este púbico, os imóveis, em geral, são na faixa dos R$ 500 mil.
De acordo com a Sondagem da Construção da FGV, os segmentos de infraestrutura e de serviços especializados já registram elevação da demanda nos primeiros meses de 2026, o que resultará em maior nível de atividade e empregos. Com mais recursos disponíveis, a construção informal (muito presente na Baixada, por meio de reformas e ampliações residenciais) também tende a crescer, impulsionando renda e consumo local.

RISCOS
Apesar do quadro favorável, o setor não ignora os riscos como os efeitos retardados do período prolongado de juros altos. Ainda assim, a leitura predominante entre empresários e entidades é de equilíbrio com viés positivo. “A expectativa é de que o mercado imobiliário apresente um comportamento equilibrado em 2026, com oportunidades em todos os segmentos. Essa diversidade reflete a maturidade do mercado regional e a capacidade do setor de atender às múltiplas demandas habitacionais da Baixada Santista”, conclui Carlos Meschini.