
Pode ser que, caso esse artigo seja publicado, o resultado de Espanha x Argentina já esteja consumado ou com a Espanha bicampeã ou com a Argentina se juntando a Alemanha e Itália como tetra.
O primeiro resultado importante da Seleção Argentina em Copas do Mundo foi o vice-campeonato, em 1930, quando perdeu para a “Celeste Olímpica” uruguaia, que já colecionava os títulos olímpicos de 1924 e 1928.
Nem sempre a Argentina teve um futebol de alto nível, mas nunca faltou raça aos seus jogadores e uma “hinchada” (torcida) apaixonada e incansável.
Assim como a Seleção Uruguaia, em vários momentos essa “raça” virou catimba violenta e desleal.
Até hoje lembro da agressão de Maradona a Batista, na Copa de 1982. Também temos histórico nesse sentido, mas por outros motivos. Foram os casos de Carlos Alberto, contra a Inglaterra, e de Pelé, contra o Uruguai, da Copa de 1970. O primeiro buscou “impor respeito”, enquanto o “Rei” revidou a certeza da má intenção do zagueiro adversário. Talvez tenha lembrado das “entradas” que sofreu em 1966, contra a Seleção Portuguesa.
Fazendo um paralelo entre títulos com ressalvas da Argentina e do Brasil, “los hermanos” lideram.
Imagens não negam o pênalti cometido por Nílton Santos, no jogo contra a Espanha, em 1962. Na época, não tinha “VAR”.
Em 1978, a goleada da Argentina contra o Peru (6 x 0) teve as suspeitas de resultado “armado”, com jogadores peruanos admitindo terem recebido dinheiro para “entregar o jogo”.
“La mano de Dios” de Maradona, em 1986, é outro episódio negativo, também determinante para o bicampeonato argentino.
Nos dois casos, a Argentina teria qualidade suficiente, além da tradicional raça, para não precisar desse tipo de expediente irregular. Em 1978 tinha Mário Kempes. Em 1986 tinha o próprio Maradona.
Outra lembrança embaraçosa, confirmada por Maradona, foi o episódio da “água” dada a Branco, o principal cobrador de faltas da Seleção Brasileira, em 1990. O tricampeonato da Argentina, em 2022, foi mais do que merecido, tendo Messi como protagonista, após atuações nem tão memoráveis nas Copas anteriores.
A Copa de 2026, mesmo com alguns questionamentos sobre arbitragens, tem demonstrado uma Seleção Argentina que, além da boa qualidade de seus jogadores, mantém a proverbial “raça”, algo que tem faltado à Seleção Brasileira nos últimos 24 anos.
E Messi… Que jogador!
Em minha opinião, ele é muito melhor do que Di Stéfano e Maradona, por sua excelência técnica, objetividade, longevidade e condição física que, ao que consta, nunca precisou ser “aditivada”. Acima dele, só Pelé!
A Seleção Brasileira não tem que ser igual, mas precisa recuperar urgentemente a essência que, desde 1958, tornou nosso futebol um exemplo a ser respeitado no mundo.
Nota do editor: o texto foi entregue, obviamente, antes da final da Copa de 2026 e, apesar do papelão argentino na final (pela postura em campo e durante a premiação da Espanha e pelo “excesso de raça”) decidimos publicá-lo pela qualidade do texto e dos argumentos
e porque, acima de todos os vários “senão” da seleção argentina e de seus torcedores, Messi é eterno.


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