
O relato de uma passageira do cruzeiro temático “Energia OnBoard” resume bem não somente os perrengues pelos quais passaram centenas de passageiros, como também a falta de entendimento sobre responsabilidades e competências. Ela aceitou conversar com o Jornal da Orla sob anonimato e revelou que a Onboard deveria ter apresentado à Costa Cruzeiros a lista de passageiros, mas isso não aconteceu. Além disso, dos 3.800 passageiros, cerca de 2 mil não receberam o voucher com as informações sobre a viagem. O resultado não poderia ser outro.
“Eu não recebi o voucher até o dia da viagem e tinha, desde a reserva, a promessa de que eu receberia. Fui para o terminal de passageiros e lá eu vi que muita gente também não tinha recebido. Eram várias informações desencontradas. Quem gritou, fez barraco e ameaçou colocar na imprensa conseguia embarcar”.
A própria passageira teve dificuldades para ingressar no navio. Ela chegou ao terminal por volta das 11h30, mas só conseguiu subir a bordo no início da noite. Ao entrar na embarcação, novo tumulto. “Como não tinha voucher, não havia definição sobre as cabines que cada passageiro iria ocupar. Houve vários casos de pessoas que entraram em cabines ocupadas. O que aconteceu foi que a Onboard deveria ter fornecido a lista de passageiros para a Costa Cruzeiros e não fez isso”.
Por volta da meia-noite, mais de 12 horas após a chegada da passageira ao terminal, ainda havia muita gente do lado de fora. “O que vi foi a Polícia Federal tentando organizar a entrada, porque neste momento estava uma gritaria”. Somente no dia seguinte chegou a informação de que pessoas com reservas haviam ficado em Santos. “Soube de famílias que se separaram. Uma irmã foi e a outra ficou”.
A passageira refuta a alegação de overbooking motivado por possíveis desistências. “Esse cruzeiro não é inédito e há passageiros que vão com frequência. Muitos desses por causa dos shows. É muito difícil ter desistências”


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