
Leques, cores e música tomaram as ruas do Centro Histórico de Santos neste domingo (29) durante a 8ª Parada do Orgulho LGBT+. Entre celebração e manifestação, o evento reuniu de 5 mil a 6 mil pessoas, que saíram em cortejo da Praça José Bonifácio em direção à Praça Mauá, passando pelas ruas Braz Cubas e Avenida João Pessoa. O tema desta edição foi “Envelhecimentos LGBT+: Memória, Resistência e Futuro”.
A drag queen Olívia Olí, de 61 anos, conta que essa foi a sua quinta edição da parada santista. Maquiadora e atriz, ela veio de Sete Lagoas (MG) especialmente para o evento. Segundo Olívia, é muito importante abordar sobre a representatividade etária. “Nós construímos um pedaço do caminho e as drags mais jovens dão continuidade à nossa trajetória. Todas nós ainda temos muito caminho pela frente, mas nós não desistimos nunca. Nós queremos ser felizes”.
Olívia ainda destacou o crescimento do evento ao longo dos anos. “Cada edição está mais vibrante, com mais emoção. Neste ano, eu subi ao palco para uma apresentação e foi maravilhoso. Eu sou uma pessoa PCD e da melhor idade, então, é muito gratificante”, declarou.
Para o presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de Santos (APOLGBT-Santos), Eduardo Ferreira, o domingo foi de festa, mas também de muita representatividade e manifestação. “Nós estamos aqui para celebrar, mas também para que o Poder Público nos veja. Nós precisamos de políticas públicas direcionadas para nós, como a construção de uma casa de acolhimento para a população LGBT”. Ele finalizou dizendo que é importante a comunidade gritar para o Município que todos têm orgulho de ser quem são.
A vereadora Renata Bravo (PSD) ressaltou a importância do evento para chamar a atenção da sociedade sobre inclusão. “A diversidade ainda encontra preconceito em alguns lugares. Falamos da área da saúde, empregabilidade e oportunidades para as pessoas viverem”, disse.
CENÁRIO ESTADUAL
O coordenador estadual da diversidade no governo de São Paulo, Rafael Calumby esteve presente na 8ª Parada e anunciou que o Estado ofereceu 3 mil vagas de emprego exclusivas para a população LGBT na semana anterior ao evento. As vagas foram precedidas por cursos de empreendedorismo realizados em parceria com a APOLGBT-Santos.
“Capacitamos nossa população com educação para que possam permanecer nos cargos. A comunidade pode ser advogada, promotora, não apenas manicure ou cabeleireiro, como dizem”, afirmou Calumby. O governo estadual ainda apoiou a festa por meio da Secretaria de Cultura com R$ 5 mil para caixas de artistas.
O deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL), presente no evento, disse que a parada aconteceu em um momento oportuno. “O movimento ele está sendo tão atacado pelo fundamentalismo religioso, por fontes políticas do mal, que querem retroceder nos poucos direitos da nossa comunidade. A parada é uma resposta para isso. Uma resposta para quem quer que a gente tenha vergonha, para quem quer que a gente tenha medo, que a gente fique preso no armário, a quem a gente responde com o nosso orgulho, com o nosso amor próprio, com a nossa beleza, com a nossa alegria”.
9ª PARADA
A APOLGBT-Santos já trabalha na organização da 9ª parada, prevista para 2026. A associação mantém planejamento de 18 meses para cada edição do evento. Segundo o presidente do ato, o ano que vem contará com mais celebrações e manifestações.


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