Economia

Painel debate ajustes no edital Tecon Santos 10

20/03/2025 Da Redação
Fernando Yokota

Representantes das principais empresas do segmento de contêineres estiveram reunidos para debater o principal projeto de arrendamento portuário da história do Brasil: o futuro terminal de contêineres do Porto de Santos, o Tecon Santos 10, que vai a leilão ainda este ano, conforme previsão do Governo Federal. Durante o último painel do Santos Export, Fórum Regional de Logística, Infraestrutura e Transportes, ontem (19), os painelistas discutiram a modelagem do arrendamento e também as melhorias em infraestrutura para que o terminal opere com sua capacidade total.

Projetado para movimentar até 3,5 milhões de TEUs e ampliar a capacidade de movimentação de contêineres no Porto de Santos, a operação do Tecon Santos 10 entra em consonância com a melhoria nos acessos para que não haja gargalos no sistema rodoviário.

O diretor de Operações Portuárias da Santos Brasil, Bruno Stupello, salientou que as melhorias em acessos rodoviários ainda não foram bem endereçados no edital do projeto. “O Tecon 10 é um projeto de longo prazo. O nosso Tecon Santos com 2,6 milhões de TEU de capacidade já atende 4 mil caminhões. Estamos falando de um terminal potencialmente com 1 milhão de TEUs a mais de capacidade, e com isso um aumento proporcional do aumento de caminhões. É uma questão que foi repetida por diversas vezes porque é uma preocupação muito grande”, comentou.

ESTUDOS
Os estudos para o arrendamento do projeto foram realizados pela Infra S.A. Atualmente, o Tecon Santos 10 encontra-se em fase de audiências públicas, com a primeira tendo sido realizada nesta semana. Segundo o órgão do Governo Federal, a modelagem ainda não foi totalmente finalizada.

“A questão concorrencial ainda está definida, estudos ainda estão sendo realizados. No primeiro momento se optou por retirar empresas armadoras de Santos, e aí se decidiu que elas poderiam entrar, mas sem participação de consórcios, ou seja, sozinhas. Nesse momento, está sendo reavaliada essa questão, até porque é melhor a Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) responder, até por ser a responsável pelo leilão”, afirmou Bruno Picinin Fernandes, da diretoria de Mercado e Inovações da Infra S.A.

A gerente sênior de Relações Institucionais da DP World, Luciana Guerise, afirmou que a atual modelagem não conversa, em sua opinião, com a necessidade de melhorias de acessos, como a dragagem de aprofundamento para 17 metros e o porto poder receber os maiores navios do mundo, e novas ligações rodoviárias da Capital até o complexo santista, hoje endereçados pela terceira pista da Imigrantes, projetada para 2030.

“A gente tem acionar esses projetos para que eles sejam mais céleres. E para isso acontecer, são duas questões: questão ambiental e vontade política. A vontade política já está evidente para a concepção do projeto, precisa achar essa vontade para os acessos”, pontuou.

ACESSOS ADEQUADOS
A crítica aos acessos também foi feita pelo Head de Public Affairs do Grupo Maersk para a América Latina, Danilo Veras. “Nós estamos falando de incluir o dobro de área no Porto de Santos, mas não se sabe se existem acessos adequados. Discutimos aqui que ‘não tem solução’ já que a falta de acessos é o problema desde o início de toda discussão. A gente precisa entender que Santos precisa de um bom terminal, quer se industrializar e quer gerar empregos”, disse.

O diretor de Investimento em Terminais da TiL (Terminal Investment Limited) Patrício Júnior, declarou que o leilão do Tecon Santos 10 terá muitos interessados entre as empresas que operam contêineres, pois boa concorrência agrega valor.

“Quanto mais pessoas fizerem bids (ofertas), melhor será o preço, e mais o governo ganha. Tem muita competição entre todos, e só existe discussão pois há muita competição. O Brasil Export é o local ideal para discussões como essa”, destacou.