
Imagina aquele momento, às vésperas do seu casamento, em que a história do casal passa como um filme na sua memória: tudo o que viveram juntos, o instante em que se conheceram, as pequenas intimidades, as doçuras e os afetos. Tudo isso se soma em um sentimento puro, quase incontestável. Você está arrebatado, com a certeza de que aquela é a única, e melhor, escolha da sua vida.
E então surge um segredo do passado, contado em tom de brincadeira, quase leve demais para o peso que carrega, mas suficiente para plantar dúvidas, receios e até paranoia. O que você faz?
Essa é a premissa do filme da semana, O Drama, com Robert Pattinson e Zendaya, que entregam carisma, talento e, acima de tudo, química.
Confesso que não esperava que um filme com tantos diálogos e uma narrativa fragmentada, que vai e volta entre passado, imaginação e versões contadas da mesma história, fosse me prender tanto.
E, mais do que isso, me gerar um incômodo constante, quase silencioso, que cresce aos poucos e se transforma em pura tensão.
À medida que as dúvidas sobre o segredo aumentam, “como?”, “por quê?”, a tensão se desdobra junto. É até curioso ver Robert Pattinson em um papel como esse: surtando, oscilando entre o pânico e a ansiedade, tentando agir e falhando de forma quase desastrosa, sem saber exatamente o que fazer.
Já Zendaya conduz sua personagem com precisão. Meiga, afetuosa, segura, quase em contraste com tudo aquilo que se insinua sobre o passado.
Outro destaque é Rachel, interpretada por Alana Haim, que entrega uma personagem hipócrita na medida certa, dessas que a gente reconhece fácil, porque parecem existir fora da tela.
O filme nos faz pensar se realmente conhecemos a pessoa que está ao nosso lado, e se ela ainda é a mesma depois de 15 anos. Mais do que isso, nos coloca diante de uma pergunta desconfortável: como lidamos com as versões de nós mesmos que ficaram no passado? E como elas moldam o que somos hoje.
O Drama toca em temas sensíveis, mas necessários. Fala sobre quem fomos, sobre escolhas feitas na adolescência, sobre influências, sobre ter comprado ideias só porque pareciam certas, ou simplesmente aceitáveis naquele momento. Nos questiona também sobre o sofrimento calado dos jovens e sobre até onde iríamos para justificar uma decisão. Tudo isso regado a um diálogo afiado, com ótimas piadas e muito drama.
No fim, a conversa que esse filme rende quase se torna a sua própria continuação.


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