Cena

O Diabo Veste Prada 2

06/05/2026 Thaís Lima
Divulgação

Quem diria que um clássico da cultura pop voltaria com tanta força? Essa semana trago a vocês O Diabo Veste Prada 2. Há quase 20 anos, Anne Hathaway dava vida à Andy Sachs, ao lado de Emily Blunt (em uma de suas primeiras grandes aparições) e da icônica Meryl Streep, interpretando a inesquecível Miranda Priestly.

No primeiro filme, o que parecia apenas uma comédia afiada sobre moda e ambição também revelava um lado bem menos glamouroso: um ambiente de trabalho exigente, competitivo e, muitas vezes, cruel. Entre “mimos” e oportunidades, vinha também a exaustão, a pressão constante e pequenas humilhações do dia a dia, como as clássicas cenas de bolsas e casacos sendo jogados para os assistentes.

E, agora, no segundo filme, vemos esse universo evoluir com o tempo. A história acompanha a revista Runway enfrentando crises de orçamento, conteúdo e credibilidade, refletindo um cenário bem atual: o espaço cada vez menor das mídias físicas diante de um mundo dominado pelo digital, onde tudo precisa caber em uma tela e disputar atenção em um feed. É nesse contexto que Andy retorna, contratada para ajudar a reposicionar a revista e, mais uma vez, se vê trabalhando ao lado de Miranda.

Anne Hathaway e Meryl Streep entregam exatamente o que esperamos: a essência continua ali. O tom é leve, nostálgico e, ao mesmo tempo, atual. Talvez o mais divertido seja perceber como esse mundo também mudou. Afinal, quem imaginaria ver Miranda Priestly pendurando o próprio casaco?

Sim, o RH chegou e colocou ordem na casa. A nova assistente parece quase um manual de compliance. Nenhuma fala passa sem filtro, nenhuma ironia sem ajuste. É curioso, e até engraçado, assistir a esse controle, onde até os comentários precisam ser medidos para não ultrapassar limites.

Nesse grande elenco, temos também Stanley Tucci, vivendo Nigel, o braço direito de Miranda. Se no primeiro filme levamos uma pequena mágoa com seu desfecho, aqui saímos mais acolhidos e até emocionados.

Com um ritmo rápido, as duas horas passam sem que a gente perceba. Entre referências, looks e passagem de tempo, o filme é leve, gostoso e envolvente. Tudo funciona, mesmo sendo, em alguns momentos, mais explicativo do que necessário. Ainda assim, você sai do cinema com a sensação de que eles entregaram tudo o que podiam e que, de alguma forma, fizeram jus ao original.

O mundo mudou, as regras também, mas Miranda Priestly continua sabendo exatamente como comandar tudo.