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O desafio de equilibrar o desenvolvimento econômico de um país x inclusão social de pessoas com deficiência

08/11/2025 Bruno Oliveira
O desafio de equilibrar o desenvolvimento econômico de um país x inclusão social de pessoas com deficiência | Jornal da Orla

O economista Arthur Melvin Okun (1928-1980), figura crucial para a compreensão da dinâmica econômica contemporânea, nos alerta para um dilema fundamental: a busca pela eficiência econômica não pode ser realizada à custa da justiça social. Okun, que serviu como membro do Conselho de Assessores Econômicos dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon B. Johnson, foi uma das figuras-chave na formação das políticas econômicas do governo americano durante a década de 1960. Com essa experiência prática, ele percebeu de perto os desafios da desigualdade social e as consequências negativas do neoliberalismo. Okun é conhecido por sua Lei de Okun, que descreve a relação inversa entre o desemprego e o crescimento econômico. Ele demonstrou que o crescimento econômico, embora desejável, pode ser distribuído de forma desigual, beneficiando em menor escala os mais vulneráveis. Ele argumenta que o crescimento econômico, sem a inclusão social, se torna um ciclo vicioso que perpetua a desigualdade e fragiliza a sociedade.

Sua crítica ao neoliberalismo, que prega a não intervenção do Estado na economia, se baseia na constatação de que essa visão ignora as disparidades sociais e perpetua a desigualdade. Políticas de austeridade, frequentemente defendidas por essa corrente, podem, na verdade, ser um motor para a exclusão social, marginalizando os grupos mais vulneráveis, como pessoas com deficiência, que dependem de programas sociais.Okun nos adverte: a economia não é um jogo de soma zero, onde o ganho de um indivíduo implica a perda de outro. A riqueza gerada pela economia precisa ser distribuída de forma justa, garantindo que o bem-estar social seja priorizado, e isso inclui garantir que pessoas com deficiência tenham acesso às mesmas oportunidades e recursos que outros membros da sociedade.A busca por um ponto ideal, que combine crescimento econômico com justiça social, é essencial para evitar que a eficiência se torne um sinônimo de exclusão.

É preciso reconhecer que a prosperidade econômica só é sustentável quando beneficia a todos, e não apenas uma parcela privilegiada da sociedade.Em um momento marcado por crescente polarização social e econômica, as ideias de Arthur Okun ganham relevância. Sua visão abrangente, que reconhece as necessidades específicas de grupos vulneráveis como pessoas com deficiência, nos impulsiona a buscar um modelo econômico que priorize a justiça social e a inclusão. A busca por um modelo econômico que priorize a justiça social é fundamental para garantir a estabilidade e a prosperidade a longo prazo.

É preciso olhar para além dos indicadores de crescimento e focar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde o bem-estar de todos seja a verdadeira medida do progresso.Avanços, Desafios e a Complexa Interseção entre Inclusão, Mobilidade e Desenvolvimento Econômico para Pessoas com Deficiência no BrasilA Reforma Tributária, recentemente aprovada no Senado, e as iniciativas da ABRIDEF – Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva, nos convidam a refletir sobre os impactos das políticas econômicas e sociais na vida das pessoas com deficiência (PCD).

A inclusão e a garantia dos direitos das pessoas com deficiência (PCD) são temas de crescente importância no cenário legislativo e social brasileiro, permeados por uma complexidade que exige uma abordagem cuidadosa e abrangente. A ABRIDEF – Associação Brasileira da Indústria, Comércio e Serviços de Tecnologia Assistiva, juntamente com o apoio de diversas associações e entidades de assistência, tem se posicionado ativamente em defesa dos direitos das PCDs, buscando assegurar a igualdade de oportunidades e o exercício pleno da cidadania. No entanto, a fragmentação dos esforços e a desconexão entre as agendas técnicas e a realidade vivida pelas pessoas com deficiência são problemas reais que precisam ser enfrentados. É crucial que as campanhas publicitárias e as discussões sobre os direitos das PCDs transcendam os números frios e as questões técnicas e econômicas, trazendo à tona a vida real e as experiências das pessoas com deficiência, reconhecendo a complexidade inerente a essa questão. Em um esforço conjunto, a ABRIDEF e outras 40 associações manifestam seu apoio à EMENDA Nº 323 ao PLP Nº 108/2024, de autoria dos Senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Flavio Arns (PSB-PR). Esta emenda visa alterar a Lei Complementar nº 214/2025, modificando as regras relativas ao regime diferenciado do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) aplicável aos automóveis de passageiros adquiridos por PCDs ou pessoas com transtorno do espectro autista.

Os principais objetivos da emenda incluem aumentar o valor da isenção, elevando o teto da base de cálculo do benefício fiscal de R$ 70 mil para R$ 140 mil, abrangendo o IBS e a CBS; revogar a restrição que vincula o benefício fiscal à necessidade de um veículo adaptado, permitindo a isenção para todas as PCDs e autistas que necessitem; diminuir o tempo mínimo de espera para a aquisição de outro veículo com benefício fiscal, de quatro para três anos; e desburocratizar e digitalizar os trâmites para a concessão do benefício, facilitando o processo para as pessoas com deficiência. A manutenção das isenções para PCDs é crucial para garantir que a Reforma Tributária não restrinja o acesso a esses benefícios, especialmente na compra de veículos novos. Assegurar que a Reforma Tributária respeite os princípios de justiça fiscal e proteja os cidadãos com deficiência é fundamental, considerando os custos elevados que enfrentam com tratamentos e adaptações.

O Senado aprovou novas regras de isenção para PCDs na compra de veículos, representando um avanço significativo. As mudanças incluem a ampliação do teto de isenção total para R$ 100 mil e do limite para veículos com isenção parcial para até R$ 200 mil; a redução do prazo mínimo para a troca de veículos com isenção para três anos; e a eliminação da exigência de adaptação externa para garantir o acesso às isenções, uma conquista aguardada pelo segmento. Essas mudanças visam reduzir prazos, ampliar limites e eliminar burocracias, demonstrando sensibilidade às necessidades das pessoas com deficiência. A aprovação dessas medidas representa um marco importante para a mobilidade e a inclusão das PCDs no Brasil.

Ainda existem desafios em termos de acessibilidade urbana e de transporte público no Brasil. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei Nº 13.146/2015) assegura igualdade de oportunidades no acesso à mobilidade e ao transporte, mas a realidade demonstra que essa previsão legal nem sempre é observada. Nesse contexto, o automóvel próprio adquirido com isenção de impostos torna-se, muitas vezes, a única forma de compensar a ausência de acessibilidade pública adequada, proporcionando autonomia, independência e dignidade às PCDs.

Para superar esses desafios e garantir que os direitos das pessoas com deficiência sejam efetivamente protegidos e promovidos, é essencial a criação de um fórum permanente de diálogo, estabelecendo um espaço regular de encontro e debate entre as diferentes entidades e representantes de pessoas com deficiência, promovendo a troca de informações, a identificação de pontos em comum e a construção de uma agenda unificada. Também é fundamental a elaboração de uma agenda estratégica integrada, definindo prioridades claras e objetivos mensuráveis, levando em consideração as necessidades e demandas de todos os grupos de pessoas com deficiência, e estabelecendo indicadores de acompanhamento e avaliação para garantir a efetividade das ações. A comunicação transparente e acessível, utilizando uma linguagem clara e acessível em todos os materiais e canais de comunicação, e divulgando amplamente as ações e resultados da agenda estratégica integrada para toda a sociedade, é imprescindível. Além disso, é necessário promover a mobilização e o engajamento da sociedade, promovendo campanhas de conscientização e sensibilização sobre os direitos das pessoas com deficiência e incentivando a participação da sociedade civil na defesa desses direitos. Por fim, a articulação com o poder público, fortalecendo o diálogo com os governos federal, estaduais e municipais para garantir a implementação de políticas públicas efetivas, e monitorando o cumprimento da legislação e cobrando medidas para garantir a acessibilidade e a inclusão das pessoas com deficiência, é crucial.

Aprovar e fortalecer essas iniciativas parlamentares, juntamente com a unificação de esforços e a humanização das campanhas, reconhecendo a complexidade inerente à questão, é crucial para assegurar igualdade de oportunidades e o efetivo exercício da cidadania a milhões de brasileiros com deficiência.

A desigualdade social não se limita a um problema moral; ela possui consequências concretas e negativas para a sociedade como um todo. A concentração de renda e oportunidades limita o consumo e o investimento, prejudicando o crescimento econômico. Estudos mostram que a concentração de renda leva a uma menor produtividade, pois limita o acesso à educação e à saúde, afetando o potencial humano da sociedade. A disparidade entre ricos e pobres gera frustração, insegurança e aumenta o risco de conflitos sociais. A desigualdade erode a confiança nas instituições e pode levar à polarização política e à instabilidade democrática. A falta de acesso a serviços básicos de saúde e educação, especialmente para pessoas com deficiência, impacta a qualidade de vida e o desenvolvimento humano, limitando suas oportunidades de participação plena na sociedade e no mercado de trabalho.

Para reverter a tendência da desigualdade e construir uma sociedade mais justa, é necessário investir em políticas públicas que promovam a inclusão social e a equidade. Oferecer educação de qualidade e acessível para todos, incluindo pessoas com deficiência, é fundamental para romper o ciclo da pobreza e garantir oportunidades para todos. Um sistema de saúde universal e acessível garante a proteção da saúde e o bem-estar da população, garantindo o acesso a serviços de reabilitação e tratamento específico para pessoas com deficiência. Promover políticas que garantam trabalho digno, com adaptações e acessibilidade para pessoas com deficiência, com remuneração justa, direitos trabalhistas e oportunidades de ascensão profissional, é essencial para a inclusão social. Oferecer programas de proteção social para grupos vulneráveis, incluindo a garantia de direitos e benefícios específicos para pessoas com deficiência, como idosos, pessoas com deficiência e famílias em situação de pobreza, é fundamental para garantir a segurança e a dignidade humana.

O Estado desempenha um papel crucial na promoção da justiça social e na redução da desigualdade. É preciso fortalecer as ações do Estado em áreas como: a tributação progressiva, que cobra impostos maiores de quem ganha mais, é fundamental para financiar políticas sociais e reduzir a desigualdade. O Estado deve garantir a regulamentação do mercado, combatendo a exploração e promovendo a justiça social, garantindo que empresas atendam às necessidades de acessibilidade para pessoas com deficiência. Investir em infraestrutura, como transporte público, energia e saneamento básico, beneficia a todos, mas especialmente as camadas mais pobres, incluindo a garantia de acessibilidade para pessoas com deficiência. Combater a corrupção e garantir a transparência e a accountability nas ações do governo é fundamental para fortalecer a confiança da população nas instituições e promover a justiça social.

Construir uma sociedade mais justa e igualitária é um desafio que exige a participação de todos. É preciso fortalecer o debate público, mobilizar a sociedade civil e pressionar os governantes para que priorizem políticas públicas que promovam a inclusão social e a equidade, incluindo a garantia de direitos e oportunidades para pessoas com deficiência. A busca por um modelo econômico que priorize o bem-estar de todos, e não apenas a riqueza de alguns, é a chave para construir um futuro mais justo, próspero e sustentável para todos.

“Quando eu era professor, eu dizia para meus alunos: “Você se pode formar em Economia com notas ótimas, mas só será economista no dia em que subir até o Terraço Itália, olhar para baixo e entender como funciona a sociedade”. É preciso imaginar a hidroelétrica girando e fazendo o metrô andar, ao mesmo tempo em que o petróleo é extraído, refinado, distribuído e fazendo os carros andarem, enquanto o minério de ferro é reduzido ao ferro gusa, que vira aço, que vira automóvel. Se o camarada não entender tudo isso a um só tempo, será um financista, não um economista. É por isso que a gente ouve tanta asneira dos especialistas de mercado.” Essa frase, dita pelo Professor Luiz Alberto de Carvalho e Silva durante nossa conversa sobre o BPC, é um retrato da sua visão abrangente da economia. Ele nos convida a enxergar a complexidade do sistema econômico, a interdependência entre os diversos setores e o impacto direto das decisões tomadas na vida das pessoas. Para o Professor Luiz Alberto, a economia não se resume a números e teorias, mas sim a uma teia de relações que molda a vida da sociedade. Sua crítica ao PL 1506/2024, que restringiu o acesso ao BPC, demonstra sua profunda preocupação com a vulnerabilidade social e a necessidade de políticas públicas que promovam a inclusão e a equidade.

Sua trajetória como professor e economista, dedicada à defesa dos direitos sociais e à construção de uma sociedade mais justa, é uma inspiração para todos aqueles que buscam um futuro melhor para o Brasil.

O Professor Luiz Alberto, com seus 69 anos de vida e experiência como professor aposentado de economia, nos ensinou a ver a economia como um sistema vivo, interligado e com impacto direto na vida das pessoas. Sua frase, que compara o economista ao observador do Terraço Itália, nos convida a enxergar a sociedade como um todo, a compreender a interdependência entre os setores e a responsabilidade social que cada um de nós, como agentes econômicos, tem. Essa visão abrangente é essencial para que possamos construir uma sociedade mais justa e sustentável.

Agradeço ao Professor Luiz Alberto de Carvalho e Silva por sua colaboração e por suas ideias inspiradoras. Sua visão abrangente sobre a economia nos impulsiona a buscar um futuro mais justo e próspero para todos.

Okun, Inclusão e Brasil: Um Equilíbrio Necessário

O economista Arthur Melvin Okun, figura central na compreensão da dinâmica econômica contemporânea, nos adverte sobre um dilema crucial: a busca pela eficiência econômica não pode ser realizada à custa da justiça social. Sua experiência como membro do Conselho de Assessores Econômicos de presidentes americanos o fez perceber os desafios da desigualdade social e as consequências negativas do neoliberalismo. Okun demonstrou que o crescimento econômico, embora desejável, pode ser distribuído de forma desigual, beneficiando em menor escala os mais vulneráveis, perpetuando a desigualdade e fragilizando a sociedade.

Sua crítica ao neoliberalismo reside na constatação de que essa visão ignora as disparidades sociais e perpetua a desigualdade, marginalizando grupos vulneráveis como as pessoas com deficiência, que dependem de programas sociais. Okun nos adverte que a economia não é um jogo de soma zero, e a riqueza gerada precisa ser distribuída de forma justa, garantindo que pessoas com deficiência tenham acesso às mesmas oportunidades e recursos que os demais. A busca por um ponto ideal, que combine crescimento econômico com justiça social, é essencial para evitar que a eficiência se torne um sinônimo de exclusão.

Em um momento de crescente polarização social e econômica, as ideias de Okun ganham relevância, impulsionando a busca por um modelo econômico que priorize a justiça social e a inclusão. É preciso olhar para além dos indicadores de crescimento e focar na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, onde o bem-estar de todos seja a verdadeira medida do progresso.

O Professor Luiz Alberto de Carvalho e Silva, com sua visão abrangente da economia, nos convida a enxergar a complexidade do sistema econômico e o impacto direto das decisões tomadas na vida das pessoas. Sua crítica ao PL 1506/2024, que restringiu o acesso ao BPC, demonstra sua preocupação com a vulnerabilidade social e a necessidade de políticas públicas que promovam a inclusão e a equidade.

A Reforma Tributária e as iniciativas da ABRIDEF nos convidam a refletir sobre os impactos das políticas econômicas e sociais na vida das pessoas com deficiência (PCD). A inclusão e a garantia de seus direitos são temas de crescente importância, permeados por uma complexidade que exige uma abordagem cuidadosa e abrangente. A ABRIDEF e outras associações manifestam apoio à EMENDA Nº 323 ao PLP Nº 108/2024, que visa alterar a Lei Complementar nº 214/2025, modificando as regras relativas ao regime diferenciado do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS) aplicável aos automóveis de passageiros adquiridos por PCDs ou pessoas com transtorno do espectro autista.

Ainda existem desafios em termos de acessibilidade urbana e de transporte público no Brasil. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei Nº 13.146/2015) assegura igualdade de oportunidades no acesso à mobilidade e ao transporte, mas a realidade demonstra que essa previsão legal nem sempre é observada.

Para superar esses desafios, é essencial a criação de um fórum permanente de diálogo, a elaboração de uma agenda estratégica integrada, a comunicação transparente e acessível, a mobilização e o engajamento da sociedade, e a articulação com o poder público.

A desigualdade social possui consequências concretas e negativas para a sociedade como um todo, limitando o consumo, o investimento e o acesso à educação e à saúde. Para reverter essa tendência, é necessário investir em políticas públicas que promovam a inclusão social e a equidade, como educação de qualidade e acessível, sistema de saúde universal e acessível, políticas que garantam trabalho digno e programas de proteção social para grupos vulneráveis. O Estado desempenha um papel crucial na promoção da justiça social e na redução da desigualdade, por meio da tributação progressiva, da regulamentação do mercado, do investimento em infraestrutura e do combate à corrupção.

Construir uma sociedade mais justa e igualitária exige a participação de todos, fortalecendo o debate público, mobilizando a sociedade civil e pressionando os governantes para que priorizem políticas públicas que promovam a inclusão social e a equidade.