Metrópole

Mongaguá completa 66 anos: “Como vai a princesinha das praias?”

07/12/2025 Marcos A. Ferreira
Diyego Gonçalves/PMM

O rio descia a serra e, próximo de encontrar o mar, costumava alagar uma vasta área, deixando o solo lamancento, a “água pegajosa”, que os tupi-guaranis chamavam de Mongaguá. Muitos anos depois, pedras foram colocadas para disciplinar o curso d`água e naquela região cresceu a Vila. Primeiramente, vinculada a São Vicente, depois como distrito de Itanhaém. Até que em 1959, conquistou sua emancipação político-administrativo, fato que neste domingo (7) completa 66 anos.

A Administração Municipal, sob o comando de Cristina Wiazowisk (PP), comemorou durante a semana com atividades diversas e solenidade oficial realizada na sexta-feira (5) – a programação prossegue (veja abaixo). No entanto, há uma curiosidade com relação à data celebrada: a emancipação foi oficializada pelo Governo do Estado em 18 de fevereiro de 1959, porém, mas em 7 de dezembro de 1958, os moradores dicidiram, em plebiscito, que o então distrito de Itanhaém se tornaria o Município de Mongaguá. “Então, na primeira legislatura da Câmara Municipal (1960-1963), o presidente, vereador Rosalino Alves, considerou que, nesse processo de ´independência`, o dia mais importante era aquele em que prevaleceu a vontade do povo. Por isso, o aniversário de Mongaguá é celebrado no dia 7 de dezembro, mas considerando o ano da emancipação oficial”, conta Marcelo Dianno, historiador e autor de três livros sobre a cidade.

Importante destacar, também, que na primeira legislatura da Câmara havia uma mulher, vereadora pioneira no Município, Dina Belli de Araujo. “Era de família conhecida na cidade, mas morava em São Paulo, onde trabalhava como funcionária pública. Na época, os parlamentares não tinham salário e ela pagava sua viagem para vir participar das sessões legislativas. Lutou pela primeira ambulância e por vacinas para as crianças. Por defender suas ideias com firmeza, chegou a apanhar no plenário. Mas não deu em nada, por causa do machismo”, explica Adriana Cristina Pies Rial, coordenadora da Área de História da Secretaria de Educação de Mongaguá. Apesar de ter uma mulher à frente da Prefeitura, Adriana Rial lamenta a baixa participação feminina na política local: “Em 66 anos, são apenas cinco vereadoras e duas suplentes.”

O FUNDADOR
Marcelo Dianno conta que o fundador da Vila de Mongaguá foi o engenheiro e empresário Fernando Arens Júnior. Nascido em Campinas (1880), veio para a região em 1910. “Aqui não tinha nada, era uma terra de nativos. Claro, ele veio com intenção comercial: comprar terras a preço de nada e vender por valor maior. Construiu a casa, trouxe água encanada, luz elétrica, cedeu parte de terrenos para a ferrovia, que chegou em 1913. A vilazinha creceu em torno da estação de trem, que era o único lugar com luz elétrica; era por onde chegavam os mantimentos, os comércios”.
Nesse período, a Vila pertencia a São Vicente, ficava muito longe do Município sede. Não tinha perspectiva de progresso, por esse motivo, os moradores passaram a reivindicar a criação de um distrito. “Em 1948, foi criado o Distrito de Mongaguá, só que como parte de Itanhaém, que era mais perto. Cresceu nos anos 1940-50, mas também não tinha de Itanhaém a atenção necessária, era a periferia. Então, moradores, caiçaras, políticos e comerciantes começaram a tentar a criação de um município”, explica Marcelo Dianno.

Apesar de reconhecer que várias pessoas se envolveram no processo de emancipação, o historiador considera como “grande emancipador” Raul Loureiro. “Era o presidente do Fisco de São Paulo, portanto, o segundo nome do Estado, abaixo do governador. Ele que tratou na Assembleia Legislativa, juntou documentos e realmente conseguiu as coisas para a emancipação, porque Mongaguá tinha igreja, escola, comércio, mas não tinha o número suficiente de residências para se tornar município. Raul Loureiro, muito inteligente, solicitou da empresa elétrica o número das ligações de luz das casas. Nessas ligações, lógico, incluiu casas de veraneio, casas dos turistas. Juntando tudo, conseguiu o número certo de residências para Mongaguá se tornar um município”.

BRASÃO E HINO
Paulistano de 63 anos, 25 deles pesquisando sobre Mongaguá, Marcelo Dianno guarda depoimentos de antigos moradores. Conheceu a filha do fundador Fernando Arens, Aracy Arens, à época com 100 anos – ela morreu com 108 anos. Estudou heráldica (arte dos brasões) para corrigir erros no brasão da cidade. É autor do hino do Município, cujos primeiros versos cantam uma particularidade de Mongaguá: “A natureza, em um momento caprichoso/Formou a serra que mais perto abraça o mar”. Obviamente, uma exaltação à “princesinha das praias”, atualmente com cerca de 62 mil habitantes (61.951, no Censo 2022 do IBGE) que tentam emergir das águas pegajosas da política.

Aliás, Dianno conta que a expressão foi popularizada nos anos 1950 pelo programa sertanejo Brasil Caboclo, da Rádio Bandeirantes, apresentado pelo Capitão Barduíno (nome artístico de Pedro Astenori Marigliani). “Ele tinha casa na cidade e gostava muito daqui. Nos intervalos, sempre perguntava: Como vai Mongaguá, a princesinha das praias?”

 

ROGRAMAÇÃO

ATO OFICIAL
Domingo (7) – 10h – Apresentação da nova frota de ônibus, na Praça Dudu Samba, Centro
ESPORTES
Domingo (7) – 10h – Final da 1ª Copa de Futebol Amador: Feirinha X Primavera – Estádio do Mongaguá Praia Clube, altura do nº 2.170 da Av. Monteiro Lobato (Pedreira). Entrada franca, mas serão recebidas doações de alimentos não-perecíveis para o Fundo Social de Solidariedade.
Segunda (8) – 9h – Skate – Pista de Skate (Centro)

CULTURA
Domingo (7) – Na Praça Dudu Samba, no Centro:
17h – Espetáculo teatral “Sessão Solene – A princesa e o gigante” (com tradução em libras)
18h – Artistas da Cidade
19h – Cinema – curtas-metragens
19h30 – Espetáculo Teatral “Caixola Recicla”, Grupo Teatro a Bordo (com tradução em libras)

Domingo (7) – No Centro Cultural Raul Cortez:
17h às 19h – Espetáculo das Turmas de Baby Class