Esportes

Matheus Bortolomasi aplica a disciplina do karatê na busca pela formação em medicina

07/02/2026 Fúlvio Feola
Divulgação

A vida do atleta não é fácil. Treinos intensos, dietas rigorosas e preparação psicológica são apenas alguns dos fatores que pesam na balança na hora de competir em alto nível. Para Matheus Bortolomasi, 22 anos, karateca integrante da Academia Resistência/FUPES e estudante do sexto ano de Medicina, esse é apenas mais um dia comum.

 

Desde a infância, Bortolomasi sonhava em praticar algum tipo de arte marcial, já que as “lutinhas” eram uma das brincadeiras favoritas com seu pai. Aos seis anos, após uma aula experimental conduzida pelo sensei Paulo Bartolo nas dependências da Universidade Santa Cecília, o santista decidiu que o karatê seria seu modelo de vida.

 

Os anos seguintes trouxeram diversas conquistas ao atleta. Além de títulos em competições menores, Bortolomasi alcançou grandes resultados que evidenciaram sua ascensão. O ano de 2019 foi emblemático, com a conquista do Campeonato Paulista de Karatê e as medalhas de prata no Campeonato Pan-Americano e na Liga Mundial K1, realizados no Equador e no México, respectivamente.

 

No entanto, o conto infanto-juvenil um dia chegou ao fim. No Brasil, é comum que muitos esportistas relatem ter decidido não estudar para focar exclusivamente em suas competições. Contudo, em 2021, recém-formado do ensino médio, Bortolomasi optou pela alternativa mais desafiadora e iniciou seus estudos em Medicina na Universidade São Judas Tadeu.

 

A escolha do jovem se deu pela familiaridade com as matérias de ciências biológicas durante o ensino médio. Segundo ele, a possibilidade de unir o esporte ao conhecimento é o que o motiva a seguir em frente.

 

“Nessa minha jornada, uma das coisas que sempre me motivou é a dualidade entre esporte e educação e o quanto eles se complementam. Não são opostos, como muitos acreditam. As pessoas pensam que o atleta é alguém que só entende de esporte ou que não tem uma profissão. Um dia, a carreira de atleta acaba, e é preciso ter uma formação. O esporte abre essas portas, com bolsas e inúmeras oportunidades”, destacou.

 

“Acredito que, para conciliar a Medicina com o alto rendimento no esporte, tudo se resume à disciplina e organização. Disseram-me que era inviável e que eu teria que escolher entre uma das duas áreas para seguir. Mas, se você se organizar, criar um cronograma e se adaptar a essa rotina, tudo se facilita. O dia tem 24 horas; é questão de saber como utilizá-las”, continuou.

 

Desde que ingressou na faculdade, Bortolomasi tornou-se campeão brasileiro sênior aos 18 anos, campeão sul-americano sub-21, tricampeão paulista e tetracampeão por equipes nos Jogos Regionais, entre outras conquistas.

 

O destaque em suas performances permitiu que ele se tornasse o primeiro karateca patrocinado pela Adidas Combat Sports e MKS Combat em Santos, além de receber apoio da marca de produtos dermatológicos Toff. Para 2026, o atleta busca novamente representar o Brasil nas competições internacionais mais relevantes da modalidade.

 

“Primeiro, quero disputar a seletiva nacional. Acredito que o maior objetivo do ano é integrar a Seleção Brasileira para participar de campeonatos como o Sul-Americano e o Pan-Americano. Além disso, também desejo competir nas etapas da Liga Mundial”, finalizou.