Cena

Marcos Canduta lança livro de partituras autorais na Realejo

18/07/2025 Isabela Marangoni
Isabela Marangoni

Um presente para músicos, um marco na memória cultural da Baixada Santista e, acima de tudo, uma celebração da música como linguagem afetiva. Assim pode ser definido o ‘Livro de Canções’, que o violonista e compositor Marcos Canduta lança hoje (18), a partir das 17h30, na livraria Realejo, no Gonzaga.

A publicação reúne 31 composições autorais — a maioria já gravada pelo Duo Choro de Bolso, que ele forma há 26 anos com a flautista Débora Gozzoli — e marca o primeiro songbook de um compositor da região. Financiado pelo 11º Facult – Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes de Santos, o livro busca preservar, compartilhar e inspirar a produção musical local.

O evento contará com apresentação ao vivo do duo, às 18h30, com participação especial do baixista Danilo Oliveira. “Tem muita gente que compõe por aqui — e compõe bem — mas ninguém tinha publicado um livro assim. É o primeiro da Baixada. Quem quiser ter esse exemplar já tem um bom motivo. Mas, acima de tudo, é um trabalho para músicos, estudantes e amantes da música instrumental”, afirma.

A inspiração veio dos históricos songbooks lançados nos anos 1980 pela editora Lumiar, de Almir Chediak. “Quando vi o primeiro, do Caetano, depois o do Gil, achei sensacional. Era a primeira vez que a gente via uma obra registrada, organizada, disponível para ser tocada por outros músicos. Eu já compunha, e aquilo me marcou muito”, relembra.
Ao selecionar o repertório, Canduta mergulhou em recordações. “Foi como abrir uma gaveta cheia de cartas e fotos antigas. Cada música guarda uma memória, uma emoção. É uma linha do tempo afetiva”.

Apaixonado por música instrumental, ele optou por não incluir letras ou cifras neste primeiro volume — ainda que algumas canções tenham versões cantadas. É o caso de Futebol na Praia, com letra de Manoel Herzog, parte de um projeto sobre Santos. “A música virou quase uma opereta. Um casal se conhece no ônibus, passeia pelo orquidário, pelo bonde, pela praia… até briga por causa de futebol: ele torce para o Santos, ela para um time de São Paulo. E quem canta no disco é o Chico Buarque”, conta.

Com mais de 200 composições na bagagem, muitas escritas como presente para amigos e familiares, Canduta vê na criação uma forma de conexão. “Quase todas nasceram para alguém. Gosto de dar música de presente. Tem peça para o filho da Débora, para o meu filho, para um casal amigo que sempre nos recebia com espumante… Sortuda nasceu de um comentário de um menino em Foz do Iguaçu, que disse pra Débora: ‘Você é sortuda, tem um violão para te acompanhar’. E virou música”.

Para ele, compor é mais ofício que inspiração. “Eu componho porque preciso compor. É como um repórter: estou atento ao que acontece. Leio uma matéria, vejo uma cena, vivo uma experiência, e isso vira música.

A escolha do local para o lançamento não foi por acaso. “Tocamos na Realejo há 21 anos, toda sexta-feira. Tudo que componho, toco lá pela primeira vez. Criamos um público fiel. Tem gente que conheceu o grupo passando pela calçada, ficou cinco minutos, voltou… Hoje tem até filho de frequentador que virou nosso aluno”.

Canduta também reforça que a música instrumental tem público. “E [um público] muito fiel. A voz tem um poder enorme, claro. Mas quem curte instrumental, curte de verdade. Criamos uma comunidade. Tem gente que ouve por acaso e não perde mais uma sexta”.

SERVIÇO

  • Quando: hoje, 18 de julho
  • Horário: a partir das 17h30
  • Onde: Realejo Livros | Avenida Marechal Deodoro, 2 – Gonzaga, Santos
  • Entrada gratuita