
Liderança experiente e observador atento da cena política nacional, o ministro Márcio França (PSB) reforçou ontem que pretende disputar a eleição para governador de São Paulo no ano que vem, com apoio do presidente Lula (PT). Ele argumenta que, além de sua trajetória pessoal que o qualifica para o cargo, o Partido dos Trabalhadores não tem lideranças dispostas a concorrer.
Márcio França acredita que Tarcísio de Freitas (Republicanos), deve disputar a eleição para presidente da República, e não a reeleição. Na sua análise, o candidato do governador ao cargo ao cargo que ele ocupa hoje é o seu vice, Felício Ramuth (PSD), tendo o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), como vice.
França, que já foi governador de São Paulo e presidente nacional do PSB, avalia que também há dificuldade para definir os candidatos ao Senado, pelos partidos do espectro progressista. Nesta entrevista exclusiva, ele fala também sobre o papel do Republicanos (partido do governador de São Paulo e do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho), nas eleições do ano que vem. Confira:
ENTREVISTA A MARCO SANTANA
O senhor tem reiterado que é candidato a governador. Não é muito cedo?
A verdade é que no PT não tem ninguém querendo. Eu quero. Acho que vai ser uma eleição difícil, se for contra o Tarcísio (de Freitas, Republicamos). Eu tinha dito para o (presidente) Lula se preparar, porque ele (Tarcísio) será o candidato a presidente e não a governador. Não é nem que ele queira, ele está sendo empurrado. Ele é o único nome que tem alguma chance. Ele é um cara educado, conversável, não é que nem o Bolsonaro.
O Lula me falou: “Ah, mas você acha que o Tarcísio vai ser candidato contra mim, perder a eleição?” Eu falei: “Presidente, se eu tivesse chance, eu seria candidato contra o senhor. É uma honra disputar contra o senhor. Eu vou ter 45%, o senhor 55% (dos votos), mas eu saio como a segunda figura pública do Brasil. O Tarcísio tem 40 e poucos anos. Então, pode sair como uma das principais figuras públicas do Brasil.
Se Tarcísio for disputar a Presidência, o candidato dele ao Governo do Estado é o Ricardo Nunes, atual prefeito de São Paulo?
Eu soube que o Tarcísio escolheu o próprio Felício Ramuth (PSD), vice-governador, para ser o candidato. O Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo, topou renunciar à Prefeitura para ser o vice do Ramuth. Aí, a Prefeitura ficará com aquele coronel, que foi da Rota, na minha época, mas é ligado ao Bolsonaro. Então, ele (Bolsonaro) vai ficar contemplado com a Prefeitura. O MDB fica contemplado com a vice do menino, o Ramuth vai para outro partido e o Tarcísio deve mudar para o PP, ou União Brasil, nos próximos dias ou meses.
Acho que o Republicanos é um dos poucos partidos que ainda pode ter movimentação nacional, eu acho. Podem dar uma zebra e passar para o nosso lado. Tem muita gente ligado à gente, o Marcos Pereira (presidente nacional do Republicanos) é um cara inteligente, tem uma pretensão pessoal, bacana, de ir para o Supremo Tribunal Federal, e tem uma vaga aberta no Supremo. O resto todo vai ficar com o Tarcísio. Aí, se o Tarcísio não for candidato a presidente, vai sair o Caiado (Ronaldo Caiado, governador de Goiás, do União Brasil), o cara do Rio Grande do Sul (governador Eduardo Leite, PSD), o Zema (Romeu Zema, PSD), governador de Minas Gerais). Aí, cada um vai ter 10, 12, 16% de votos.
O senhor falou que para o Governo do Estado ninguém quer. Para o Senado, que são duas vagas para São Paulo, todo mundo quer…
Também ninguém quer. O (Fernando) Haddad não quer. O Alckmin disse que não vem para São Paulo em nenhuma hipótese. Se não for candidato a vice-presidente, ele volta para Pindamonhangaba, para capinar o sítio lá. E ele é resignado.
A gente tentou o Drauzio Varela (médico e escritor), o Raí (ex-jogador de futebol), mas os caras não estão no mundo da política.
O Senado também não é uma coisa fácil. A nossa sugestão para o Lula é lançar um candidato só, em cada estado do Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Não deixar ter dois, para concentrar aqueles 35 pontos nossos em um candidato. Corre o risco de ter dois candidatos do outro lado, os votos ficarem concentrados neles e a gente ficar em terceiro e não levar. Mas, por exemplo, eu perdi para o astronauta com 8 milhões de votos, ele teve 10 milhões, se tivesse duas vagas, uma era minha.
O Lula está tentando convencer o Haddad a sair para o Senado, mas ele falou que não vai de jeito nenhum. Quem tem voto mesmo em São Paulo, se tivesse condição física, era o Suplicy (Eduardo Suplicy, hoje deputado estadual pelo PT). Mas ele não tem. Então, não sei. Vamos ter que pensar em algo fora da caixinha.


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