
Mãe de um jovem e de uma criança neurodivergentes, Amanda Gomes de Sousa, de 39 anos, registrou boletim de ocorrência acusando funcionários do hipermercado Atacadão do bairro Guilhermina, em Praia Grande, de desrespeito e humilhação. Afirma que passou cerca de três horas no estabelecimento, com os filhos em crise e seguranças impedindo sua saída, sob ameaça de acusá-la de roubo. Ela fez fotos, gravou vídeo e apresentou comprovantes de pagamento via Pix.
Amanda conta que foi à loja da Avenida Presidente Kennedy, na segunda-feira (13), por volta das 19h30, acompanhada do filho de 20 anos, portador de cinco deficiências, incluindo autismo e microcefalia, além da filha, autista (nível 1) e portadora de Transtorno do Défict de Atenção e Hiperatividade (TDAH). “Realizei a compra, paguei com Pix. Porém, antes de finalizar, me disseram que eu precisava aguardar porque o sistema havia caído. Respondi que não poderia aguardar muito tempo, por causa das minhas crianças. Nesse momento, o caixa chamou a fiscal e disse que não havia finalizado a nota, mas já estava concluída no sistema. Quando fui sair, a fiscal de caixa disse que não era para eu sair, pois a compra não havia sido computada. Eu argumentei que tinha os comprovantes, abri o celular, mostrei que havia feito o pagamento”.
A partir daí, de acordo com a mãe, os funcionários pediram para aguardar mais dez minutos, para ver se o valor não voltaria para a conta dela, pois não estava comprovado o pagamento. “Falei que iria sair, sim, porque meus filhos estavam impacientes e que, se ela quisesse, deixaria meu RG, um comprovante de residência e contato. Caso o dinheiro voltasse para minha conta, eu voltaria ao mercado para pagar”.
Amanda pediu, então, para chamar o gerente, que ratificou a posição da fiscal e não permitiu que ela deixasse a loja com as compras. “Disse que, se eu tentasse sair, iriam chamar a viatura e me acusar de roubo. Eu mesma liguei para o 190. Após três horas no mercado, a viatura não chegou, eles colocaram seguranças na porta e não me deixavam sair. Muito constrangimento, meu filho chegou a passar mal, a menina chorando, os dois em crise. Chamei meu vizinho e o pai da minha filha. Eles chegaram, colocamos as compras no carro, enquanto quatro seguranças e a fiscal gritavam que eu estava roubando a compra. Nada voltou para minha conta. Fui humilhada e, até agora, meu filho e minha filha não se acalmaram”.
Ela afirma esperar que a empresa aprenda a respeitar as pessoas, “para que isso não ocorra com mais nenhuma mãe ou com crianças e portadores de deficiência”.
A EMPRESA
Procurada pela reportagem, a assessoria do Atacadão enviou a seguinte nota: “O Atacadão esclarece que, na noite de 13 de julho, a cliente foi prontamente atendida e direcionada a um caixa de atendimento ágil na unidade. No momento do pagamento, uma instabilidade sistêmica nacional no serviço de Pix deixou a transação pendente e impediu a conclusão da compra. A equipe da loja explicou a falha no sistema e informou que o estorno seria realizado automaticamente. Mesmo assim, a cliente acionou a Polícia Militar e deixou o local com as mercadorias antes da chegada da viatura. A gerência da unidade recebeu os policiais e prestou todos os esclarecimentos sobre os fatos. A rede lamenta o transtorno causado pela indisponibilidade no sistema de pagamentos e reforça seu compromisso com o respeito ao consumidor e a transparência”.


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