
O início, ontem (02), do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete integrantes do chamado núcleo central do processo por tentativa de golpe de Estado, em 2022, está movimentando o país, à esquerda, à direita e ao centrão. Na Câmara de Santos, lideranças do PT e PL reforçam visões antagônicas e ratificam a polarização.
O vereador Rui De Rosis Jr. (PL), líder de uma oposição ao governo municipal que não inclui PT e PSOL, afirma que o momento é crítico. “O Supremo, que deveria proteger a Constituição, assumiu o papel de protagonista político. Quando um tribunal age ao mesmo tempo como vítima, investigador e juiz, compromete a confiança da sociedade na Justiça. O Brasil precisa de instituições que tragam estabilidade, mas estamos diante de um processo que, em vez de garantir direitos, viola princípios básicos de um Estado Democrático. Quando o STF deixa de ser guardião da Constituição, para se tornar um agente político, a democracia corre sérios riscos”, diz.
Para o presidente do PT santista, vereador Chico Nogueira, o momento é de tensão. “Mas com a certeza de que a soberania nacional, a democracia e o respeito à Constituição Federal sairão vitoriosos. Não podemos permitir que a pacificação venha através de acovardamento. A lei é para todos. Que a ampla defesa e o processo legal sejam respeitados. Caso os réus sejam condenados, que paguem. Penso que a democracia sairá fortalecida deste processo. Somos um país independente. A conspiração de Bolsonaro e Trump só mostram a covardia e a falta de um projeto de país da extrema-direita”, declara.
De Rosis Jr. afirma que “não há expectativa de um julgamento justo”, o que deve abrir precedente perigoso: “usar a Justiça para criminalizar adversários políticos”. Para o parlamentar do PL, o impacto desse processo será grande e vai aprofundar a polarização política no país. “Em São Paulo, na Baixada Santista e em outros locais onde Bolsonaro tem forte apoio, a perseguição cada vez mais evidente deve mobilizar ainda mais a população contra abusos de poder.”
Chico Nogueira prefere ressaltar a urgência de se avançar nas pautas em defesa do desenvolvimento social e do progresso do país. “O presidente Lula está em um processo de reconstrução de políticas públicas. A economia já mostra resultados, o Brasil saiu do mapa da fome e o bolsonarismo é danoso para o futuro da nação. Estão conspirando contra os produtos brasileiros e atacando a democracia. O povo não aguenta mais as tramoias e o cinismo de Bolsonaro”.
Obviamente, os debates vão se proliferar, pois é só o começa: as sessões no Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, devem prosseguir até o dia 12. Fato é que que as manifestações ecoam por aqui.


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