
Há pessoas que não se contentam em apenas admirar o céu; querem ver o mundo lá de cima. Um homem fez isso acontecer: Santos Dumont. Na Paris do início do século XX, entre os cafés e bulevares iluminados por ideias e sonhos modernos, estava ele, elegante com seu chapéu panamá, conduzindo seus balões e aviões, máquinas transformadoras do destino da humanidade.
Alberto Santos Dumont nasceu no Município de João Gomes, hoje Santos Dumont, Minas Gerais, em 20 de julho de 1873. Seu sonho, desde criança, era criar um aparelho que permitisse ao homem voar, controlando seu próprio curso. No ano de 1892 mudou-se para Paris, onde vislumbrou a oportunidade de construir as próprias aeronaves. Seu primeiro balão, o “Brasil”, com apenas 15 kg, ganhou altura, mas dependia do vento para se movimentar. Depois de muitos estudos, mandou construir o primeiro de uma série de “charutos voadores” motorizados. O balão subiu aos céus, chegando à altura de 400 metros e retornando ao mesmo ponto de partida. Passou a construir diversos balões e, sucessivamente, realizando experiências. Em 1900, o milionário francês Deutsch de La Meurthe lançou um desafio aos construtores de dirigíveis: “Aquele que conseguir partir do Campo de Saint-Cloud, fazer à volta a Torre Eiffel e voltar ao ponto de partida em 30 minutos, ganhará 100.000 francos”. Após tentativas com cinco dispositivos, Dumont cumpriu a missão, contornando a Torre. Ao ganhar o prêmio, distribuiu metade entre seus mecânicos e auxiliares e a outra metade destinou aos necessitados.
Com o “14 Bis”, uma “aeronave mais pesada que o ar”, o brasileiro cumpriu alguns desafios em exibições públicas nos arredores de Paris. Com motor de 50 cavalos de potência, o avião partiu do Campo de Bagatelle e subiu a uma altura de 6 metros. Em 1908, ele construiu o “Demoiselle”, cujo desenho serviria de modelo a todos os projetistas que se seguiram. Na primeira exposição da Aeronáutica realizada em Paris, o “Demoiselle” foi um sucesso.
Deve-se a Santos Dumont, a ideia de criar o relógio de pulso. Sugeriu ao relojoeiro Louis Cartier, a criação de um relógio com pulseira, o que facilitaria suas consultas enquanto voava. Até então, todos os relógios eram os de bolso.
Em 1910, após seu último projeto, Santos Dumont encerrou sua carreira de engenheiro aeronáutico. Doente, voltou ao Brasil. Em 1914, ao ver seu invento usado na guerra, se decepciona. Sua tristeza aumentou quando o aeroplano foi usado durante a Revolução Constitucionalista de 1932, em São Paulo. Hospedado no Grande Hotel, em Guarujá, a visão de aviões em combate pode ter motivado uma angústia profunda em Alberto Santos Dumont, o “Pai da Aviação”. Essa inquietude causou-lhe imenso sofrimento, levando-o a falecer, aos 59 anos, em 23 de julho de 1932.


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