
Sol, praia, surfe e skate. Falando assim, até parece um filme americano, mas é a realidade encontrada na nossa Santos, a “Califórnia Brasileira”. E é nesse cenário que surge mais um grande talento das pistas de skate, o jovem Paulo Ricardo Nunes de Oliveira, de apenas 14 anos, que mesmo com pouca idade já demonstra coragem e confiança para lidar com os desafios.
Diretamente do José Menino, Paulinho já conquistou o Campeonato Paulista em quatro ocasiões e, mais recentemente, ganhou o Campeonato Brasileiro. Sua paixão pelo skate nasceu com ele, aos dois anos já manifestava seus desejos de estar sobre as rodinhas e aos sete já iniciou sua vida dentro das competições. “Desde pequeno, já me sentia à vontade em cima do skate e com o tempo fui me apaixonando ainda mais. O que me fez gostar de verdade foram os desafios e a evolução constante. Cada manobra nova é uma conquista, e o skate sempre me trouxe alegria”, diz o atleta.
Seu talento e dedicação lhe renderam um destaque importantíssimo, o garoto realiza feitos relevantes disputando contra atletas mais velhos. Com 14 anos, atualmente ele compete na categoria Amador, para atletas acima dos 16 anos, sendo que, com apenas 13, ele conquistou um campeonato paulista e um bronze no brasileiro. Entretanto, a diferença de idade não parece ser um problema para o skatista. “Um friozinho na barriga sempre rola. Disputar com atletas mais velhos é desafiador, mas, ao mesmo tempo, me motiva a dar o meu melhor. Eu vejo como uma chance de aprender, evoluir e mostrar que, mesmo sendo mais novo, também tenho meu espaço ali. No fim, é tudo experiência e faz parte do processo”.
E é por causa destas conquistas que Paulinho foi convocado para a seleção nacional júnior na modalidade street. “Estar na seleção brasileira de skate é muito gratificante para mim porque eu sempre via os atletas da seleção competindo em campeonatos gigantes e hoje eu posso estar lado a lado com eles, competindo também e representando o nosso país lá fora”, declara o santista.
Atualmente, Paulinho briga por mais um título estadual amador, caso vença, será seu bicampeonato. Na primeira etapa, ficou em quarto lugar. As próximas duas serão em Franca e São Bernardo do Campo. Ele também está confirmado no Campeonato Brasileiro e no Tampa AM, em data a ser definida, na Flórida (EUA).

Família
Mas todo esse talento e paixão pelo skate seria desperdiçado sem o devido apoio familiar. Mesmo bem pequeno, ele era levado pelo seu pai para o Quebra-Mar para andar de skate. No início, tudo era uma grande brincadeira, como conta a mãe, Charlene Caroline Nunes Souza. “No começo, eu ficava um pouco receosa quando ele caia, mas com o tempo isso foi passando um pouco, ele sempre foi bem recebido nas pistas, o skate é um esporte de inclusão, os skatistas sempre o ajudavam com dicas de manobras e até hoje é assim quando ele está aprendendo”.
O skatista também relembra com carinho dos primeiros momentos. “Eu era bem pequeno, tudo parecia gigante e meio assustador, mas, ao mesmo tempo, muito legal. Lembro que eu caía bastante, mas me divertia demais. A galera sempre dava uma força, e isso me fez gostar ainda mais. Aos poucos fui pegando confiança e a pista acabou virando meu lugar favorito”.
Entretanto, ter um atleta em casa não é moleza. Charlene explica que reveza com o pai do garoto para cuidar da carreira e dos estudos. “A nossa rotina é bem agitada para conciliar os estudos e os treinos. Eu o levo quase todos os dias depois da escola para treinar, e quando o pai dele está em casa, é ele quem leva e vamos intercalando os dias, vamos dividindo os dias, porque sabemos o quanto o skate é importante para ele. Não é fácil, mas tentamos fazer o nosso melhor”.

Mas esse esforço todo rende para a mãe um mar de orgulho pelo filho. “É muito gratificante ver ele conquistando as coisas. Ele treina bastante, é um processo longo e ainda temos um bom caminho pela frente. Quando as pessoas o veem andando, sempre comentam sobre o talento, mas não imaginam o quanto ele treina e quantos tombos leva. Com todo o esforço dele, ver os resultados acontecendo dá a sensação de que estamos no caminho certo”.
Este apoio, talento, dedicação, tombos, erros e acertos tem um grande objetivo, do qual Paulo tem como norte em sua carreira. “Meu maior sonho é viver do skate, poder viajar, competir em campeonatos grandes e representar o Brasil lá fora. Quero evoluir cada vez mais, aprender manobras novas e, quem sabe um dia, estar nas Olimpíadas ou em um SLS”.


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