
Desde os 10 anos de idade, Jota Júnior tem lembranças de uma Copa do Mundo. Ele observava a movimentação da família em volta de um rádio grande e de válvulas, que ficava no centro da sala, no sítio da família, no interior de São Paulo. A garotada corria para comemorar os gols do Brasil ao som dos fogos que o tio Armando, o fogueteiro da família, soltava para celebrar as vitórias que levaram a nossa Seleção ao primeiro título mundial, em 1958, na Suécia.
Jota ainda era o menino Juquinha, que não imaginava o que viria pela frente. Exatos vinte anos depois, ele já estava na Copa da Argentina, com a pequena e valente equipe da Rádio Gazeta AM, de São Paulo (890 kHz). O Jotinha era o novato em um time de profissionais experientes, como o narrador Zé Italiano e o comentarista Roberto Petri.
“A primeira Copa, em 1978, eu diria que foi uma surpresa, porque eu estava recém-chegado a São Paulo. E, para quem chega a São Paulo, caipira do interior, como eu, em uma empresa como a Rádio Gazeta, achei que não teria chance.”
Jota Júnior começou no rádio em Americana, trabalhou em Campinas até chegar à Gazeta. Quatro anos mais tarde, na Copa de 1982, na Espanha, já estava no microfone esportivo mais famoso daquela época. Foi contratado pelo Escrete do Rádio, da Bandeirantes, para atuar ao lado de Fiori Gigliotti, Ênio Rodrigues e outros grandes nomes.
O sucesso no rádio o levou para a TV Bandeirantes, na histórica equipe de Luciano do Valle.
“O Luciano estava montando o Show do Esporte e me ouviu na rádio que fazia a cobertura dos Jogos Pan-Americanos de 1983, em Caracas, na Venezuela”.
Dali para frente, Jota fez parte de um dos projetos mais importantes da TV brasileira. Foi para as Copas de 1986, no México; 1990, na Itália; 1994, nos Estados Unidos; e 1998, na França.

Com a humildade que marcou toda a sua carreira, Jota Júnior relembrou sua trajetória.
“Eu jamais imaginei, quando era pequeno, acompanhando o futebol desde os meus 10 anos, ouvindo rádio e lendo jornais. Nunca me passou pela cabeça, mas depois as coisas foram acontecendo porque muitos me abriram as portas.”.
Depois da fase áurea da Bandeirantes, ainda teve uma longa e bem-sucedida passagem pelo SporTV, por onde cobriu a Copa de 2014.
Mais do que um profissional de sucesso, Jota Júnior conseguiu uma façanha muito maior e rara nos meios de comunicação: ser admirado por todos os colegas de profissão, por aqueles que trabalharam com ele e até pelos próprios concorrentes.
É impossível ouvir, conhecer e conviver com o Jotinha sem admirá-lo e respeitá-lo. O narrador de estilo sóbrio acompanhava de perto as jogadas, não precisava gritar para ser ouvido e não incomodava telespectadores e ouvintes.
Que saudade das narrações de Jota Júnior!
Ele segue a vida no interior, cuidando da família, com atenção especial aos cinco netos, e sempre lembrado nas entrevistas por ser um dos nomes mais importantes da narração esportiva.
“Desde Americana, Campinas, e no rádio e na TV em São Paulo e no Rio, só posso agradecer a todos que me ajudaram. Minha trajetória é de gratidão ao universo, a Deus e às pessoas que acreditaram em mim”.


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