
O envelhecimento costuma ser tratado como um tema espinhoso. Mas, para a jornalista e escritora Ivani Cardoso, ele pode — e deve — ser vivido com mais leveza. É a partir desse olhar que nasce Velho, eu?, livro que reúne crônicas sobre o envelhecer construídas a partir de sua experiência pessoal e de mais de uma década de estudos no Grupo de Reflexões do Instituto Ideac. Os textos foram publicados originalmente no Jornal da Orla.
O lançamento acontece em Santos no dia 4 de maio, às 18h30, no Bar Heinz, e em São Paulo no dia 23 de maio, às 11h, na Livraria da Vila, no Shopping Jardim Pamplona.
A obra nasce de um interesse antigo. “Eu sempre quis escrever sobre envelhecer. Há mais de 12 anos estudo o tema e participo de um grupo que se reúne semanalmente para discutir a velhice. Lemos livros, assistimos filmes, convidamos pessoas para conversar”, conta.
A decisão de transformar as crônicas em livro veio pela resposta dos leitores. “Muita gente não lê jornal, tenho amigos que moram fora. Postava em minhas redes sociais e o retorno era muito grande. As pessoas comentavam, vinham falar comigo na rua. Até que decidi enviar para um editor”.
A publicação ganhou ainda o respaldo de nomes importantes na área: a psicóloga Maria Célia de Abreu, coordenadora do Ideac, assina a apresentação, e a historiadora Mary Del Priore, o prefácio. “É uma chancela de quem conhece o tema, isso anima”, diz Ivani.
Velho, eu?

O título, herdado da coluna, é uma provocação direta. “A maior dificuldade das pessoas é dizer ‘eu sou velha’. Parece uma ofensa. Mas eu posso estar ótima e ser velha. Uma coisa não anula a outra”.
Ao longo das crônicas, a autora desmonta estereótipos. “As velhices são diferentes. Nenhum velho é igual ao outro. Me incomoda essa imagem de alguém parado, ultrapassado”. O livro, segundo ela, não se restringe a quem envelhece. “Interessa a todo mundo. Você tem pais, avós, convive com isso”.
Sem romantizar o processo, Ivani também aborda os desafios concretos. “O corpo muda, aparecem dores, limitações. É preciso se cuidar, fazer exercício, procurar médicos, tantas coisas”. Ainda assim, defende uma postura ativa diante da vida. “Você precisa se comprometer com você mesmo a ser mais leve. Não dá para focar só no peso”.
Reflexão sobre envelhecimento
A escrita foi parte fundamental desse percurso de reflexão. “Escrever ajuda a entender. Você pesquisa, lê, se revê. Quando fiz 60 anos, levei um baque. Percebi preconceitos meus. Muitas vezes, o preconceito está mais na gente do que no olhar do outro”.
O livro também dialoga com referências culturais — filmes, livros e experiências — ampliando o olhar sobre a velhice. “Não é porque você é velho que não pode amar, seduzir, começar coisas novas”.
Entre as experiências contadas na obra estão mudanças práticas e simbólicas. “Fui andar de balão na Turquia, algo que morria de medo. Comecei tênis de mesa, percussão. Dá para resgatar sonhos em qualquer idade”.
Outro ponto central é a autonomia. “Você não pode depender dos filhos para a sua velhice. Eles têm a vida deles. Você precisa se construir”. Ao mesmo tempo, ela valoriza os vínculos: “Ser avó é um aprendizado enorme. É continuidade, é legado”.
Conversa e lançamento
A proposta do livro é ampliar o olhar sobre o envelhecimento. “A velhice não precisa ser um pesadelo. É uma fase como qualquer outra — às vezes, pode até ser melhor. Quero trazer mais leveza e menos preconceito”.
O livro Velho, eu? será lançado em Santos no dia 4 de maio, às 18h30, no Bar Heinz, e em São Paulo no dia 23 de maio, às 11h, na Livraria da Vila, com venda também pelo site da Editora Reformatório.


Ivani querida, que maravilha de trabalho!!! Tão necessário e tão pouco falado… Quero muitooooo te ler!!!! Como consigo acessar o livro?!…
Receba meu abraço mega apertado e pleno de parabéns!!!
Minha amiga querida, você não escreveu um livro, você escreveu “O” livro.
Parabéns, “Velho, eu?” adorei e recomendo.
Adoro tê-la em minha vida.