
A inteligência artificial não substitui o ser humano porque o olhar crítico dos usuários das novas tecnologias continuará e ser o diferencial na produção profissional. Esta é a opinião do coordenador de Projetos do Grupo de Formulação e Análises Curriculares (GFAC), no Centro Paula Souza, Fernando Di Gianni. Em entrevista ao programa Orla Notícias, ontem, na rádio Santos FM, o especialista falou sobre o impacto crescente da IA nos mais diversos ramos.
O especialista enfatizou que a inteligência artificial não substitui o profissional. “Por maior que seja a evolução, a tecnologia não possui esse lado humano. É importante que as pessoas que a utilizam, tenham conhecimento técnico do assunto e da profissão que está exercendo. No cenário atual, ela não vai substituir totamente o pensamento humano. Daqui 100 anos, talvez”, diz.
Para o uso adequado, ele destacou a importância de escrever prompts (instruções ou perguntas fornecidas a Inteligência Artificia, para gerar uma resposta ou realizar uma tarefa específica) com contexto claro. “Você tem que colocar um bom contexto, o que a gente chama de prompt. Ele tem que estar muito bem escrito para que o resultado seja o mais adequado possível”, orientou.
DEMANDA
Di Gianni também comentou que a evolução das IAs também trazem preocupações por conta dos riscos com dados pessoais junto a plataformas que utilizam a tecnologia como base de atendimento e execução de pedidos de clientes. Diante deste quadro, a demanda crescente por profissionais de tecnologia reflete a expansão da inteligência artificial e o aumento dos riscos digitais. Segundo o especialista, há um deficit de profissionais qualificados em segurança da informação. As vagas chegam a um milhão em todo o mundo.
“Hoje você recebe mensagens de todos os tipos, e essas mensagens podem vir por e-mail, pelo SMS, pelo WhatsApp, não importa qual o meio que você tenha, e são mensagens muitas vezes falsas. Isso é muito perigoso”, afirmou o coordenador referente ao uso inadequado da tecnologia.
Segundo ele, os golpes digitais representam um problema crescente que requer profissionais especializados em todos os níveis para proteger transações e dados pessoais. “Precisa existir uma segurança. As pessoas dessa área devem atuar em todos os níveis, não só no nível de usuário, mas em outros níveis também.”
ATUALIZAÇÃO
Di Gianni ainda defendeu que os trabalhadores devem se adaptar às novas tecnologias, comparando a evolução da IA com ferramentas já consolidadas no mercado.
“Existe uma trajetória em termos de profissões. Vamos pegar uma profissão simples que há muitos anos usava papel e lápis para fazer cálculo. Então, por que a gente não pode usar uma calculadora eletrônica?”, questionou. Segundo ele, a inteligência artificial generativa representa uma revolução tecnológica ao criar conteúdo que nunca existiram anteriormente.
ENSINO
Di Gianni mencionou que o estado de São Paulo conta com cerca de 280 escolas técnicas e 84 faculdades de tecnologia voltadas para educação profissional. O Centro Paula Souza oferece cursos gratuitos relacionados à tecnologia, incluindo ciência de dados, gestão empresarial, desenvolvimento de sistemas e informática para internet.
Os processos seletivos são realizados por meio do “vestibulinho” das ETECs e vestibular das FATECs, com inscrições geralmente no final do ano para cursos integrados ao ensino médio e, meio do ano.
“Então, o jovem finaliza o ensino médio com uma capacitação e pode ser inserido no mercado de trabalho. Exemplo, no curso de desenvolvimento de sistemas, o aluno já consegue montar um aplicativo mobile, no caso da informática para a internet, ele pode montar sites. É uma oportunidade”, finaliza Fernando Di Gianni.
‘ORLA NOTÍCIAS’
Hoje, o convidado do Orla Notícias, na Rádio Santos (92,5), será o jornalista e historiador Sérgio Willians, diretor-executivo do Instituto Histórico e Geográfico de Santos. O tema será a Revolução Constitucionalista de 1932 e seus impactos em Santos. O programa vai ao ar, às 7 horas, sob comando da jornalista Addriana Cutino.


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