Metrópole

Incêndio: ainda não há confirmação de quantas famílias foram atingidas

09/09/2025 Josi Castro
Josi Castro/JO

Área sobre palafitas é a mesma onde outra ocorrência provocou uma morte em 2006

Prefeitura informou que aceita doações, que podem ser feitas diretamente ao Fundo Social de Solidariedade (FSS)

O secretário de Assistência Social de Cubatão, Ivan Hildebrando, contou que o trabalho de apoio e acolhimento às vítimas do incêndio que acometeu 12 casas na Vila dos Pescadores na tarde desta terça-feira (9) começou logo após o rescaldo. “A Defesa Civil já fez o levantamento dos danos e nossos agentes estão fazendo o primeiro atendimento às famílias atingidas. Vamos oferecer alimentação e, embora alguns já tenham declarado que já têm local para ficar, em casas de vizinhos ou parentes, vamos também ceder a casa de acolhimento. O fundo social já veio e se colocou à disposição, com colchões e roupas”.

Porém, segundo o Secretário Municipal de Comunicação Social, Cláudio Barazal, ainda não há confirmação de quantas pessoas foram atingidas pelo incidente. “Ainda estamos realizando esse cálculo, pois há moradores que estão trabalhando e ainda não foram impactados com a notícia. No entanto, a Prefeitura, por meio das secretarias de Habitação e de Saúde tem um levantamento e um controle das pessoas estavam morando neste local afetado. E será por meio deste estudo que vamos confrontar as informações coletadas pelos assistentes sociais, pois pode ter havido alguma migração para dentro desse local”.

A Prefeitura informou que aceita doações e solicita àqueles que queiram ajudar que o façam diretamente ao Fundo Social de Solidariedade (FSS) que está centralizando o recebimento de doações para as vítimas do incêndio. O ponto de coleta é a sede do próprio Fundo Social, situado no Vão Cultural do Parque Anilinas, com entrada pela Rua Assembleia de Deus, 435, no Jardim São Francisco. O atendimento é das 8 às 16h30. As principais necessidades são: água, alimentos não perecíveis, roupas íntimas novas, roupas infantis em bom estado, colchões, roupa de cama e de banho e produtos de higiene pessoal.

A área afetada pelo fogo tem 400 metros quadrados. Das 12 casas atingidas, oito foram completamente consumidas pelo fogo e o restante condenadas pela Defesa Civil por danos na estrutura.

De acordo com nota enviada pela Prefeitura de Cubatão, os bombeiros ouviram relatos de populares indicando que o fogo teria começado após uma briga de casal, no centro do perímetro atingido e os ventos teriam feito as chamas avançarem. “De qualquer forma, a Polícia Civil fará a investigação e vai trazer o resultado do que aconteceu aqui nesse local”, informou o Secretário Municipal de Comunicação Social, Cláudio Barazal.

Primeiro combate

Andressa Cristina Teodoro, que mora na comunidade há mais de 10 anos, relatou que foi uma das primeiras a perceber o início do fogo. “Eu percebi um clarão amarelado vindo de dentro do barraco lá da frente, seguido por fumaça. Eu e os vizinhos começamos a alertar que estava pegando fogo e pedimos ajuda. Logo começou a correria com baldes, bacias e mangueiras para tentar apagar o fogo, enquanto outro pessoal tentava salvar o que podia. Mas logo veio o vento e esparramou o fogo para outros barracos”. O de Andressa, que fica a menos de 10 metros do foco do incêndio não foi sequer chamuscado. “Foi desesperador, mas a gente não sofreu nada, graças a Deus, mas me preocupo com estes que perderam tudo”, disse emocionada.

Maria Marciana da Silva, de 71 anos, há 18 anos na vizinhança, teve sua casa parcialmente atingida. Ela contou que estava reformando a casa aos poucos e já havia levantado o banheiro e a cozinha em alvenaria, porém, o resto da residência era de madeirite, que foi parcialmente devastada pelo fogo. “Quando estavam gritando que estava pegando fogo, eu nem pensei direito. Só peguei minha cachorrinha e saí de casa. Meus vizinhos que salvaram minhas coisas”. Ela recusou o abrigo da prefeitura, pois vai ficar com uma das filhas, em Praia Grande, mas pretende voltar, embora seu barraco tenha sido condenado pela Defesa Civil. “Quero voltar e terminar minha casinha”.

Área teve outra tragédia há 19 anos

“Esses barracos que pegaram fogo não eram para existir”, apontou Maria de Lourdes Jesus Santana, moradora da comunidade desde 1993. Ela lembra que, no mesmo local, em 2006, houve um incêndio mais trágico, que atingiu cerca de 30 barracos e provocou a morte de uma criança de seis anos. “Era amiguinho do meu neto. Isso aqui era para ser um vão enorme. Mas vão deixando invadir e, agora, acontece isso”, contou, revoltada. Sua vizinha, Ana Lúcia Evangelista, que tem o mesmo tempo de comunidade, concorda. “Logo depois do rescaldo, quando os bombeiros ficavam sabendo, eles vinham e não deixavam levantar nada. Mas o tempo foi passando e as autoridades não cuidavam disso e acabaram deixando”.

Nos últimos 10 meses, a Vila dos Pescadores já foi cenário de vários outros casos de incêndio. Em 16 de dezembro de 2024, o maior deles, 150 moradias foram atingidas e 250 pessoas ficaram desabrigadas no incidente em que o fogo propagou com rapidez atingindo trecho da comunidade do Caminho São Jorge. Foram mais de três horas de combates e sem registro de feridos. Em 8 de janeiro deste ano, sete casas da Avenida Ferroviária foram destruídas pelo fogo.