Metrópole

Identificação e auxílio imediato: começa o trabalho com vítimas do incêndio da Vila Gilda

30/08/2025 Josi Castro
Josi Castro/JO

Prefeitura elabora “ficha de calamidade”; Estado envia mais itens de ajuda humanitária

VILA GILDA

Cerca de 100 moradias sobre palafitas destruídas; 213 famílias vitimadas; 392 pessoas acolhidas pelo atendimento emergencial do Desenvolvimento Social e três pessoas feridas. Este foi o saldo do segundo incêndio de grandes proporções em menos de um mês, que aconteceu durante a tarde da última quinta-feira (28), na comunidade do Dique Vila Gilda, em Santos. Entre o início das primeiras chamas, por volta das 13h30, e a total contenção do fogo, foram cerca de duas horas e meia de trabalho de combate, que envolveu 15 viaturas, 49 homens do Corpo de Bombeiros e centenas de populares que auxiliaram na extinção total do incêndio.

No dia seguinte ao novo incidente que comoveu a Cidade, o cenário ainda é desolador. Cerca de 50 servidores da Prefeitura de Santos foram mobilizados para o Centro de Referência em Assistência Social (Cras) do Rádio Clube para atender esse contingente. Caminhões da Defesa Civil do Estado enviaram quase 1.500 itens de ajuda humanitária, incluindo 300 kits de colchões, travesseiros, roupas de cama e cobertores, kits de higiene pessoal, 19 caixas com itens de vestuário e 220 cestas básicas. O Restaurante Bom Prato distribuirá 300 refeições por dia.

No trabalho de triagem realizado pelo Poder Público, as famílias atendidas recebem atendimento personalizado e preenchem um formulário, a “ficha de calamidade”. Com base nesses dados, são realizados os “primeiros socorros”, com entrega de itens de primeira necessidade, antes das pessoas serem encaminhadas para o local de abrigo indicado e, na sequência, os dados coletados são enviados à Companhia Santista de Habitação (Cohab-Santos).

“É durante esse primeiro atendimento que a gente consegue entender quem são essas famílias, o que precisam de momento e acolher as demandas daquilo que necessitam por causa do incêndio”, observa Luciana Helena Firmino, coordenadora de Assistência Social do município.

Cinco famílias chegaram a aceitar acolhimento no Complexo Esportivo da Zona Noroeste, mas desistiram por terem conseguido um local para passar a noite. Familiares, amigos e vizinhos das vítimas receberam essas pessoas em seus lares, embora a Prefeitura mantenha uma estrutura suficiente para abrigar cerca de 60 famílias no ginásio do Complexo.

“É a própria comunidade que se organiza e oferece teto a quem precisa. Então muitas pessoas preferem ficar com esses conhecidos do que ir para o abrigo do ginásio”, aponta Thaiane Amanda da Silva, chefe do Cras Rádio Clube.

O secretário de Desenvolvimento Social de Santos, Elias Júnior, ressalta que ainda não dá para cravar com exatidão o número de residências atingidas pelo incêndio. “Não há comprovação, por enquanto, porque se tratam de moradias irregulares. Fazemos uso do georreferenciamento para tentar ter uma base de quantas moradias foram atingidas. E, contando pelo número de telhados, também não nos dá a precisão necessária, porque havia barracos assobradados, de dois pavimentos. Também é importante ressaltar que a quantidade de moradias não reflete necessariamente o número de famílias, pois, dentro de um mesmo lar, poderiam ter morado até duas ou mais famílias”.

DOAÇÕES
Quem quiser ajudar as vítimas com alimentos e produtos de higiene pessoal, pode entrega as doações no Fundo Social de Solidariedade (Avenida Conselheiro Nébias, 388, Encruzilhada) e no Centro Esportivo, à Rua Fausto Felício Bruzarosco, 8/120. Ambos funcionam de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.