Metrópole

Homenagem a José Bonifácio tem reconhecimento e ‘climão’

12/06/2026 Marcos A. Ferreira
Henrique Teixeira/PMS

A ausência do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e de representantes do Governo do Estado não passou despercebida durante o ato cívico em homenagem aos 263 anos de José Bonifácio de Andrada, nesta sexta-feira (12) em Santos. Tradicionalmente, por lei estadual, na data de aniversário do Patriarca da Independência (13 de junho), a Capital é transferida para Santos e conta com membros da Administração Estadual.

“Quero registrar meu cansaço e frustração de 34 anos de luta para resgatar a memória de José Bonifácio. Conquistamos uma lei estadual para fazer ecoar os ideias de liberdade e democracia dele, que foi o maior estadista, para criarmos seminários, estudos, enfim, levarmos a história desse grande brasileiro que foi Bonifácio, e o próprio Estado não cumpre a lei. Não se faz presente”, declarou Arlindo Salgueiro, presidente do Movimento Pró-Memória do patriarca.

A prefeita de Santos em exercício Audrey Kleys (PSD), minimizou o fato, afirmando que o governador estará na região na próxima semana, cumprindo um extensa agenda. Audrey ressaltou que o compromisso de honrar o nome de José Bonifácio de Andrada é de todos.

“Há uma lei e nós estamos cumprindo, porque temos que fazer que a história percorra muitas gerações e sirva de exemplo para entendermos o nosso presente. José Bonifácio não é importante apenas para Santos, mas para o Brasil. Ele estava à frente de seu tempo, para desbravar a liberdade econômica, social, a reforma agrária, a abolição e tantas outras questões importantes hoje. É preciso compreender essa história, principalmente para as crianças”, disse a prefeita, se dirigindo em tom professoral aos cerca de 30 estudantes da Unidade Municipal de Ensino (UME) José Bonifácio, que acompanharam o evento.

Após registrar suas críticas, Arlindo Salgueiro também destacou a importância da homenagem e do homenageado. “Ele tinha o sonho de formar uma pátria democrática, com respeito às raças, à diversidade de pensamento. Antes de sermos patriotas exacerbados, temos de honrar os ideais de José Bonifácio de Andrada, lutando pela democracia no nosso país”, afirmou, pedindo a ajuda dos poderes públicos para viabilizar a construção de “um grande memorial”.

O pedido foi reforçado por José Geraldo Gomes Barbosa, do Instituto Cultural José Bonifácio, criado em outubro de 2025, que anunciou, entre outras coisas, que a entidade trabalha para disponibilizar ao público toda a obra de José Bonifácio que foi digitalizada pela Universidade de Coimbra (Portugal).

CRIANÇAS

As estudantes da UME José Bonifácio Ana Beatriz Louzeiro de Oliveira e Mayla Santibañez leram poema em homenagem ao Patriarca da Independência, enquanto Angelica Pietra Simões de Melo fazia uma intervenção artística (desenho) e o professor de Artes, Weley Kalvin representava Bonifácio. As três são alunas do 7º ano e participam do projeto de educação integral que a Associação de Amor à Criança Arcanjo Rafael desenvolve na unidade municipal, no contraturno das aulas.

O POETA

Flávio Viegas Amoreira, coordenador da Casa das Culturas de Santos, onde mantém um memorial em homenagem a José Bonifácio, realçou as qualidades do político, porém, chamou a atenção para a faceta do poeta. “Tem uma importância estratosférica. Foi um visionário, antecipando causas feministas, antirracistas; causas sociais como a reforma agrária. Mais do que tudo, além do filósofo, do iluminista, há duas personas que agora estão sendo disseminadas: o ambientalista, defensor da Amazônia, combatendo o desmatamento, defensor dos povos indígenas; e o José Bonifácio poeta, que escreveu sob o pseudônimo Américo Elíseo”, afirmou.