
O uso crescente da Inteligência Artificial (IA) se transformou em uma tendência global adotada por muitas empresas para otimizar os processos. Segundo um relatório da McKinsey & Company – empresa global de consultoria em estratégia e gestão – o uso da IA está em 72% das empresas no mundo. Na semana passada, uma pesquisa realizada pela divisão de ‘Cybersecurity Readiness Index’ (segurança cibernética), da Cisco, uma das principais corporações no campo da tecnologia de rede, apontou que no Brasil 77% das empresas enfrentaram ataques cibernéticos, por conta de falhas na operação das IAs, somente no ano de 2025. O estudo incluiu oito mil empresas em 30 países e revelou que 40% dos empresários (incluindo, na mesma proporção, os brasileiros) subestimam os riscos da IA para a cibersegurança corporativa.
Segundo o especialista em cibersegurança, Alex Vieira – fundador da PierSec e vice-presidente de Segurança Digital no Instituto Litoral Paulista de Inovação & Startups (ILIS) – o uso correto da Inteligência Artificial auxilia a detectar ameaças, porém, essa tecnologia também é utilizada por criminosos para aprimorar os ciberataques. Segundo ele, as principais armas contra os crimes digitais, seria utilizar softwares originais e mantê-los atualizados, instalar antivírus pagos, registrar senhas fortes, participar de treinamentos em cibersegurança e fazer backups regulares.
“A Inteligencia Artificial é essencial para fortalecer a defesa digital, acelerar a detecção de ameaças, automatizar respostas e identificar riscos antes mesmo que eles se tornem ataques, mas, nós sabemos que a IA também foi incorporada ao arsenal do cibercrime. É uma guerra digital. O maior risco para as empresas é achar que isso ainda é cenário de futuro. O crime automatizado já é realidade diária enfrentada pelas empresas”, afirma o especialista.
MERCADO BRASILEIRO
As empresas estão se preparando para as necessidades do setor e de acordo com uma pesquisa específica sobre o mercado nacional (realizada pela Mordor Intelligence, empresa indiana, que é referência em IA), o mercado de cibersegurança no Brasil foi avaliado em US$ 3,3 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 3,68 bilhões ainda este ano. Com um crescimento tão importante, os ataques direcionados a pequenas e médias empresas se tornou um alerta. Muitas delas ainda operam sem políticas estruturadas de segurança da informação e se tornam alvos fáceis.
Segundo Alex, a percepção entre os empresários ainda é tímida, mas há mudança. “Principalmente após ataques recentes que expuseram dados estratégicos de grandes empresas. O empresário que entende que IA é risco e solução ao mesmo tempo, sai na frente. Quem não se mover agora, vai correr atrás do prejuízo depois”, enfatiza Vieira.
Ele ainda comenta que “a IA pode ajudar ou enganar, e o que define isso é o nível de preparo do time. Treinamentos constantes reduzem drasticamente o sucesso de ataques baseados em engenharia social — que hoje são potencializados pelas Inteligências Artificiais”.
GOVERNANÇA DE DADOS
Vieira ressalta que o primeiro passo é não subestimar a importância da cibersegurança nas empresas. “Antes de tudo, é necessário que tenha governança de dados. A inteligência se alimenta de dados. E se a base estiver exposta, o risco é dobrado. Depois, é preciso garantir que os modelos utilizados sejam treinados com segurança, auditáveis e conectados a estratégias claras de compliance e privacidade”, diz Vieira.
CISCO
Fundada em 1984, a Cisco é uma das principais corporações globais no campo da tecnologia de rede. Especializada na produção de hardware e software, também presta serviços voltados às redes e comunicação.
Reconhecida globalmente, a Cisco é famosa por seus roteadores, switches e soluções de segurança.


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