
As histórias, paisagens, personagens e memórias de Guarujá ganham voz em ‘Guarujá, Guarujão’, novo livro do escritor Flávio Viegas Amoreira. Em sua 25ª obra publicada, o autor presta uma homenagem à cidade que, apesar das transformações e desafios ao longo do tempo, segue inspirando moradores, visitantes e artistas.
A obra é dedicada à memória, cultura e identidade do município. “É uma elegia à Guarujá ancestral, à Guarujá mítica, à Guarujá em forma de dragão, com 500 anos de ocupação”, resume o escritor.
Apaixonado pela Baixada Santista, Flávio conta que o livro nasceu da vontade de celebrar uma cidade que considera única. “É uma visão amorosa, encantatória, de uma cidade que é sinônimo de beleza e que foi muito maltratada nos últimos anos por questões de desigualdade humana, mas que ainda conserva seus mistérios e suas belezas. É uma tentativa de fortalecer a autoestima de uma cidade que está sempre se reinventando”.
O título da obra carrega uma invenção poética inspirada em dois autores fundamentais para sua formação literária: Euclides da Cunha e João Guimarães Rosa. “Criei um aumentativo poético. ‘Guarujão’ é uma forma de exaltar a beleza da cidade. Ficou poeticamente Guarujá, Guarujão”, explica.
Dividido em quatro partes, o livro alterna o olhar entre a paisagem e os personagens que moldam a identidade local. “Eu dividi entre o canto ao homem e o canto à terra. Há uma parte dedicada ao pescador, ao caiçara, ao homem do povo, e outra dedicada às praias do Guarujá”.
Mergulho na história
Ao longo das páginas, o autor também convida o leitor a revisitar capítulos pouco lembrados da história da cidade. “O que eu quero resgatar é principalmente a história do Guarujá através do olhar de um poeta. A história esquecida do Guarujá. O Guarujá dos sambaquis, dos indígenas, do Forte de Itapema, da passagem de Américo Vespúcio, do Padre Anchieta, de Santos Dumont”.
Segundo Flávio, esse resgate histórico tem despertado a atenção dos leitores. “Uma jovem me disse algo muito bonito: é preciso resgatar a história enterrada do Guarujá. É uma história que está submersa e precisa ser trazida à tona”.
Ele também destaca a presença constante da cidade na produção artística brasileira. “O Guarujá foi contado por Vicente de Carvalho e Martins Fontes. Foi pintado por Benedito Calixto, Anita Malfatti, Alfredo Volpi e Wega Nery. Euclides da Cunha escreveu parte de Os Sertões apaixonado pelo Guarujá”.
Poesia e resistência
Em tempos marcados pela velocidade da informação e pelas transformações tecnológicas, Flávio acredita que a poesia continua exercendo um papel essencial. “A poesia é a última fronteira do humano diante de um mundo que se desumaniza. Ela nos aproxima do encanto, do cósmico e do transcendente”.
O escritor também se vê como parte de uma tradição de autores que transformaram a paisagem e a cultura regional em matéria literária. “Estou tentando cultivar os caminhos de poetas como Vicente de Carvalho e Martins Fontes, que alcançaram relevância nacional cantando as belezas, as tradições e o povo da sua região”.
45 anos de literatura
Além de ‘Guarujá, Guarujão’, Flávio lançou recentemente ‘50 Poemas Escolhidos’, antologia publicada pela Editora Clóe para marcar seus 45 anos de trajetória literária. “É uma antologia de vida. Reuni poemas escritos desde a adolescência até hoje, selecionando momentos importantes da minha trajetória”.
A coletânea reúne trabalhos de diferentes fases da carreira, revelando a diversidade de estilos explorados pelo autor ao longo das décadas. “Não segui uma linha temática, mas uma linha do tempo. Há poemas juvenis, poemas dedicados a São Paulo, poemas de construção vanguardista e outros mais intimistas”.
Os livros podem ser adquiridos diretamente com o autor. ‘Guarujá, Guarujão’ também está disponível pela Ribas Editora, enquanto ‘50 Poemas Escolhidos’ pode ser encontrado no site da Editora Clóe.


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