
A inteligência artificial (IA) transformou a maneira como as pessoas buscam informações na internet. Em quase três anos, desde o surgimento em massa da tecnologia, os usuários mudaram os hábitos de navegação e pesquisa on-line. Plataformas como ChatGPT (a mais popular IA) passaram a competir diretamente com mecanismos tradicionais de busca, como o Google, oferecendo respostas rápidas, sem necessidade de navegar entre múltiplos sites. Esse foi o diagnóstico do sócio-fundador da T2S, Ricardo Pupo Larguesa, durante o programa do Orla Notícias da Santos FM (92,5). Ele comentou que o modelo de negócio do Google sofre grande ameaça pela IA Generativa.
“Nós precisamos lembrar que essa plataforma, uma das principais BigTechs do planeta ganha dinheiro com anúncios. Agora as pessoas pesquisam pelo ChatGPT. E como fica o Google? Por isso, eles resolveram investir pesado na própria IA, o Gemini”, declara Larguesa.
Segundo ele, as inteligências artificiais já possuem mecanismos internos de pesquisa, que buscam dados, processam as informações e entregam respostas consolidadas diretamente aos usuários. A vantagem é que “não vem anúncio”. Porém, até o momento, a estratégia do Google gerou resultados positivos. O Gemini conseguiu espaço no mercado, embora a OpenAI mantenha a liderança.
Sobre o impacto no mercado de trabalho, Ricardo foi categórico: “A única certeza que a gente tem é que quase todas as profissões vão necessitar de readaptação. Embora as ‘pessoas gostem de pessoas’, é preciso analisar os custos com um profissional em comparação com uma IA”.
PREOCUPAÇÕES
Ricardo destacou outro ponto crítico relacionado ao uso corporativo da inteligência artificial: a exposição de dados confidenciais. “As empresas conseguem bloquear esse envio, mas a IA não tem como. Ela está on-line. Usá-la com dados de empresa é uma situação bem complicada”, alertou o especialista.
A solução proposta por Larguesa envolve implementar ferramentas que tenham recursos de sigilo e comercialidade. Dessa forma, os funcionários podem fazer uso da tecnologia para conseguir produtividade sem expor os dados.
O sócio-fundador da T2S explicou que as empresas enfrentam um dilema. Colaboradores querem usar IA para aumentar produtividade, mas proibir o uso representa um erro estratégico. “Proibir é um erro, não tem como. Por mais que um negócio limite os acessos ao ChatGPT, a gente usa o celular, a gente tira a foto da tela, a gente manda documento, não tem como impedir”, observou. Mesmo assim, o especialista ainda considera que a sociedade não possui preparo, mas deve assimilar as mudanças trazidas pela IA.
EVOLUÇÃO
“A inteligência artificial é um assunto muito antigo. Já começou lá na década de 50. Eu já implementava as primeiras redes neurais no começo dos anos 2000”, disse Larguesa.
Para ele, a diferença atual está na inteligência artificial generativa, que produz conteúdo. Essa tecnologia surgiu após um artigo de 2017, chamado “Attention is all you need”, de pesquisadores do Google, que definiu uma arquitetura revolucionária permitindo a criação de “transformers” (rede neural que aprende o contexto) e generativas.
“A utilização em massa começou há cerca de dois anos e meio. O uso integrado com outras aplicações existe há um ano, mais ou menos. Ela evoluiu muito rápido”, explicou.
O especialista também alertou sobre a dependência irresponsável da tecnologia, citando o conceito de “Vibe Coding” – quando pessoas criam software sem revisar o que a IA produz. “Se você deixar a IA sozinha no controle, você vai se dar mal. Você tem que revisar”, enfatizou.
ORLA NOTÍCIAS
Hoje, o convidado do Orla Notícias, na Santos FM (92,5), será o secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Dino Batista. O programa vai ao ar, às 7 horas, sob comando da jornalista Addriana Cutino.


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