Política

“Fiz mais por São Paulo como ministro do que Tarcísio como governador”, diz Haddad

27/05/2026 Marco Santana
“Fiz mais por São Paulo como ministro do que Tarcísio como governador”, diz Haddad | Jornal da Orla

Pré-candidato do PT a governador, Fernando Haddad afirmou ontem que, caso eleito, pretende implantar no estado o projeto pedagógico dos institutos técnicos federais. Em visita a Cubatão ontem, ele classificou o ensino em São Paulo como “sucateado”. Haddad também disse que, como ministro da Fazenda, fez mais pelo estado do que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O senhor mencionou que quer implantar o projeto pedagógico dos institutos federais caso seja eleito governador de São Paulo? O modelo atual não funciona?
A educação não foi priorizada pelo governo. Agora mesmo, professores falando da “plataformização do ensino”, do uso da tecnologia da maneira errada, prescindindo do profissional e de um projeto pedagógico. A qualidade do ensino está caindo e a precarizando a carreira. O número de matrículas caiu muito. A infraestrutura das escolas públicas, a escola está sucateada, com pouco investimento nos equipamentos físicos. Então, isso tudo está sendo conversado não só com a categoria, mas com os pais e jovens. O padrão de excelência do Instituto Federal foi criado quando eu era ministro da Educação, uma produção coletiva, muita gente se debruçou sobre o projeto para torná-lo perto do que é mais avançado no mundo. Vamos usar o projeto pedagógico do Instituto como um dos paradigmas a se adotar também no Estado. A Fundação Paula Souza pode dar esse passo e incluir no seu cardápio de oferta a ideia do Instituto Estadual, oferecendo ensino técnico e curso superior de tecnologia também.

O senhor também disse que, independentemente de quem seja o próximo governador, vai encontrar uma situação fiscal delicada. Por quê?
O atual governo, o Tarcísio, herdou R$ 26 bilhões de caixa livre, aquele dinheiro que não está vinculado, que está livre para utilizar. E hoje estamos com R$ 5 bilhões. E você não vê entregas de investimento compatíveis com a queda do caixa. E não podemos esquecer que ele vendeu a Sabesp, por R$ 13 bilhões. Então, quando você tira R$ 13 bi de R$ 5 bi, tem um déficit de R$ 8 bi negativos. E a Sabesp está nessa situação precária, cobrando muito mais pela conta de água e oferecendo um serviço pior. A única coisa que está crescendo no estado de São Paulo é o lucro da Sabesp. O resto está tudo caindo. Outra gestão danosa como essa e nós vamos ter dificuldade, mesmo com tudo que o governo Lula fez pelo estado. R$ 13 bilhões de empréstimos do BNDES e uma redução de dívida que vai render um fluxo para o estado de R$128 bilhões. E nem assim o governador está conseguindo equilibrar as contas.

Os resultados das últimas eleições indicam que é uma situação desfavorável aos casos no PT, historicamente, aqui em São Paulo. Qual estratégia o senhor espera adotar para reverter essa situação, principalmente no interior do estado?
Eu vejo diferente. O melhor resultado que a gente tinha tido, antes de 2022, foi em 2002…

Mas o PT nunca ganhou uma eleição para governador…
Calma, você perguntou, eu vou responder… O melhor resultado que a gente obteve desde que nós disputamos a eleição em São Paulo, praticamente todos os anos, foi de 2002, 41%. Na última eleição, tive 45%. Então, foi o melhor resultado da história do campo progressista em São Paulo. Nós sabemos que a gente tem um desafio, sobretudo no interior. Nós estamos dialogando com o interior. Eu, como ministro da fazenda, fiz os três maiores Planos Safra da história, recorde atrás de recorde de produção, recorde atrás de recorde de exportação, de abertura de mercados estrangeiros. Nós vamos conversar com a população para saber quem é que apoiou mais o Estado de São Paulo do que nós. Eu, como ministro da fazenda, garanto que fiz mais pelo Estado do que o Tarcísio como governador. Não tem termo de comparação. O que eu liberei de recursos do BNDES, a renegociação da dívida do Estado, vai precisar três governadores para fazer.

Neste caso, passa por conquistar o eleitor moderado, que nem é de direita, nem petista…
Eu sou moderado.

Passa também pela definição do vice da chapa?
O vice qualquer que seja, vai ser bom. Eu só tive vice bom até hoje.

As pesquisas apontam Marina em primeiro na disputa ao Senado e Márcio França em terceiro. Então, o que credenciaria Márcio França para ocupar essa vaga junto com Simone Tebet?
Nós temos quatro ex-ministros em São Paulo disputando eleição. O Márcio França, que foi governador, além de ex-ministro, a Simone Tebet, que foi prefeita e senadora da República, a Marina, que foi senadora da República, candidata presidente e eu. Ou seja, nós estamos bem servidos em São Paulo.

O senhor diria que a Marina é favorita, internamente?
É muito cedo para falar disso, você tem muito recall, não é disso que se trata. Nós vamos sentar e escolher, vamos fechar essa chapa até o começo de junho da melhor maneira possível. Todo mundo está credenciado para tudo. São pessoas que são primeiro, do ponto de vista ético, pessoas com uma reputação que o outro lado não tem. Nenhum de nós recebeu dinheiro do Vorcaro. Então começa Gente com muita trajetória, que já prestou serviços muito relevantes para o país e para São Paulo. Então esse não é um problema.