
O documentário Fábrica de Sonhos, que retrata a história do tradicional Cine Roxy, de Santos, será exibido nesta sexta-feira (27), às 18h, no Instituto Guimarães Rosa (IGR), em San Salvador, El Salvador. A sessão integra a programação da 5ª edição da Autêntica Mostra Cinemas do Brasil – Reminiscências do passado histórico, dedicada à preservação da memória dos cinemas de rua.
Dirigido por André Azenha e Wanderley Augusto Camargo, o filme foi lançado em 2024, durante as comemorações dos 90 anos do Cine Roxy, e integra a sessão “Onde o Povo Sonha”. A produção também será exibida no Brasil no dia 23 de abril, às 18h, na Sala Walter da Silveira, em Salvador.
Criada em 2019, a mostra promove exibições, debates e ações culturais voltadas à valorização das salas de cinema de rua, muitas delas ameaçadas de desaparecimento. Nesta edição, além de Salvador e San Salvador, há sessões previstas em Nazaré, com programação também disponível em TVs públicas e plataformas online, ampliando o alcance das obras selecionadas.
Memória e resistência
Com 70 minutos, Fábrica de Sonhos acompanha a trajetória do Cine Roxy e de seu proprietário, Toninho Campos, revelando como o espaço se consolidou, ao longo de nove décadas, como um ponto de resistência cultural e convivência na cidade.
A narrativa se constrói em dois planos: os bastidores silenciosos, conduzidos por Toninho Campos dentro da sala de cinema, e a memória coletiva, formada por relatos de frequentadores, artistas e parceiros. Histórias de primeiras sessões, descobertas artísticas e até pedidos de casamento ajudam a transformar o espaço em personagem.
Além da tela
O filme também contextualiza o papel urbano do cinema. O Roxy foi o primeiro a deixar o Centro de Santos para se instalar no Gonzaga, ainda nos anos 1930, contribuindo para a formação da chamada Cinelândia Santista — período em que a cidade chegou a ter o maior número de salas de cinema per capita do país.
A obra revisita ainda a forte ligação do espaço com a música. Toninho Campos trouxe à cidade, ainda nos anos 1980, nomes como Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Titãs e Ira! antes mesmo de alcançarem maior projeção na capital paulista.
O documentário também destaca iniciativas sociais e culturais que passaram pelo Roxy, como o Projeto TAMTAM, o GAPA, a Casa da Esperança, o Arte no Dique e as sessões inclusivas do Cinema Azul.
Hoje, o Roxy é percebido como um verdadeiro equipamento cultural da cidade — um espaço que ultrapassa a lógica comercial e assume dimensão pública e comunitária. A seleção para a mostra reforça esse reconhecimento.
A programação completa será divulgada no site oficial da mostra.



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